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Compreender templates In-The-Hoop (ITH)
Se alguma vez abriu um ficheiro de “blank snap tab” e pensou: “Onde é que coloco exactamente o meu desenho para não ficar a coser na altura errada?”, não é o único caso. Em bordado à máquina, os projectos ITH são menos “arte” e mais engenharia: está-se a construir um “sanduíche” de camadas com uma ordem rígida.
Neste tutorial, pegamos num fluxo digital e ligamo-lo ao que acontece na prática. A ideia é personalizar um template ITH de snap tab no Wilcom, garantindo que o desenho entra no momento certo e no sítio certo:
- Decifrar a sequência de costura: perceber a “planta” do ficheiro (saber quando o vinil entra evita erros irreversíveis).
- Importar com intenção: trazer um desenho separado (ex.: uma cabra) sem “partir” o template.
- Posicionamento com precisão: rodar e encaixar o desenho respeitando margens físicas.
- Lógica de sequência: corrigir a ordem na Color-Object List para evitar erros de camadas.
- Teste de esforço virtual: simular no Stitch Player para visualizar o percurso da agulha antes de gastar vinil.

O que é uma snap tab ITH?
Uma snap tab In-The-Hoop (ITH) é um micro-projecto construído integralmente dentro do bastidor. Ao contrário do bordado “normal”, em que se borda sobre um tecido, aqui está-se a montar um objecto. O ficheiro funciona como instruções digitais de montagem.
A ideia-chave: não está apenas a adicionar um motivo; está a inserir um passo dentro de uma linha temporal de produção. Uma sequência típica ITH é:
- Ponto de colocação (placement): desenha a forma no estabilizador.
- Colocação do material: coloca-se o vinil por cima.
- Fixação (tack-down): prende o vinil ao estabilizador.
- Inserir desenho: o seu logótipo/arte deve bordar aqui.
- Colocar o verso: retira-se o bastidor, vira-se e fixa-se vinil no lado de trás.
- Ponto feijão / triplo (bean stitch / triple run): fecha e “sela” todas as camadas.
Identificar as linhas de colocação e de fixação
No fluxo mostrado na pré-visualização do Stitch Player, há “ossos” que não são negociáveis:
1) A linha guia (guide run): é a primeira costura. Serve para indicar o tamanho do recorte de vinil a colocar. 2) A caixa interior (linha azul): é a fixação (tack-down). Segura a camada superior para não deslizar. 3) O “ponto certo” na sequência: o desenho personalizado deve bordar imediatamente a seguir a esta linha azul. 4) O fecho (ponto feijão/triplo): é um ponto pesado, de várias passagens, que une frente e verso.


Do ponto de vista de produção, manter uma margem de segurança de 2 mm a 3 mm dentro das linhas limite é prática comum. Ajuda a garantir que o contorno final (ponto feijão/triplo) assenta bem e não “cai” para fora da borda.
Importar desenhos personalizados no Wilcom
Uma dúvida muito frequente na prática é: “Que software é este?” A interface mostrada é Wilcom Embroidery Studio (e4/e4.5) (conforme indicado nas respostas do autor). Ainda assim, os princípios de espaçamento e de sequência aplicam-se a outros programas.
Para manter consistência, pense nisto como uma relação “Base + Inserção”:
- Base: o template “Blank Snap Tab”.
- Inserção: o seu desenho (a cabra).
Antes de começar, garanta condições de trabalho estáveis para colocação de bastidor para máquina de bordar (especialmente se estiver a preparar várias camadas de vinil). Uma bancada limpa e espaço para manusear o bastidor reduzem erros.
Tipos de ficheiro suportados
No vídeo, é importado directamente um ficheiro de bordado (ex.: .DST ou .PES). Distinção importante: isto não é importar uma imagem JPG/PNG.
- Imagem (JPG/PNG): precisa de digitalização (converter imagem em pontos).
- Ficheiro de pontos (DST/PES/EXP, etc.): já contém dados de costura.
Se tentar importar apenas uma imagem, não terá informação de pontos. Garanta que o “Goat” já é um ficheiro de bordado.
Utilizar a janela de importação
A sequência para juntar ficheiros sem fechar o template é específica:
1) File > Import Embroidery: não use “Open” se isso fechar o template. Use “Import” para fundir. 2) Seleccionar ficheiro: navegue até ao ficheiro a inserir. 3) Verificação visual: confirme na pré-visualização que não há saltos estranhos. 4) Executar: clique em Open.


Ponto de controlo: após importar, é normal o desenho aparecer centrado no bastidor (coordenada 0,0) ou fora da área da snap tab.
Resultado esperado: ficam dois elementos distintos no ecrã: o objecto do template da snap tab e o objecto do desenho (a cabra).
Posicionamento para acertar à primeira
O posicionamento é onde muitas snap tabs ITH ficam “misteriosamente estragadas”. Muitas vezes o erro não se vê no ecrã — só aparece quando se corta e percebe que o desenho ficou torto, ou quando o encaixe da mola fica comprometido por ter bordado demasiado perto.
Em produção, muitas oficinas usam uma estação de colocação de bastidores hoopmaster para garantir que o estabilizador entra direito e repetível. No ficheiro, o equivalente é trabalhar com rotação e alinhamento com base nas linhas-guia.
Rodar para encaixar no bastidor
É comum as snap tabs estarem inclinadas (por exemplo, para aproveitar melhor a área do bastidor). O desenho inserido tem de seguir essa inclinação.
Plano de acção:
- Seleccionar a inserção: clique no desenho importado.
- Verificação rápida: confirme que aparecem as pegas de rotação (setas circulares) ou use o campo de rotação.
- Rodar: alinhe o “eixo” do desenho com o eixo longo do corpo da snap tab.

Ponto de controlo: rode antes de centrar definitivamente. Se centrar primeiro, ao rodar pode fazer com que cantos do desenho ultrapassem o limite.
Resultado esperado: o desenho fica paralelo às laterais da snap tab.
Centrar o desenho dentro das linhas-guia
Agora, arraste o desenho para dentro da “zona útil” (a caixa).

Ponto de controlo (visual): faça zoom (por exemplo, 200%) e confirme que o ponto mais exterior do desenho fica pelo menos 2 mm afastado da linha azul.
Nota técnica: o vinil não estica, mas perfura. Se o desenho ficar demasiado perto do contorno, a soma das perfurações do desenho + costura final pode fragilizar a peça e provocar rasgo com o uso. Deixe margem.
Resultado esperado: o desenho fica equilibrado, com “espaço” semelhante em volta.
Dominar a sequência de costura
A lição aqui é simples: o bordado acontece em tempo linear.
Se o desenho bordar antes da fixação (tack-down), pode estar a bordar “no ar” (só no estabilizador) e depois o vinil tapa-o. Se bordar depois do fecho final, o projecto fica comprometido.
Para organização de fluxo numa oficina, ter estações de colocação de bastidores ajuda na repetibilidade física, mas no ITH a sequência digital é obrigatória.
Porque é que a ordem importa em projectos com vinil
Visualização do processo físico (como a simulação sugere):
- Máquina: cose a linha guia no estabilizador. (PAUSA)
- Operador: coloca o vinil por cima.
- Máquina: cose a fixação (tack-down). (Estamos aqui)
- Máquina: deve bordar o desenho (a cabra) agora.
- Operador: retira o bastidor, vira, coloca vinil no verso e volta a montar.
- Máquina: cose o contorno final (ponto feijão/triplo) para unir as camadas.
Se o desenho for parar ao passo 6, já com o verso aplicado, o resultado pode ficar tecnicamente incorrecto para o objectivo do template (e a lógica de montagem deixa de fazer sentido). Por isso, a inserção deve acontecer no passo 4.
Usar a Color-Object List para reordenar camadas
A Color-Object List é o seu editor de linha temporal.
1) Localizar o painel: normalmente do lado direito. 2) Agrupar a inserção: confirme que a cabra está como um único “Group”. Se estiver em vários objectos, é fácil mover só partes. 3) Arrastar e largar: mova o grupo da cabra para ficar abaixo da caixa interior (linha azul) e acima do ponto feijão/triplo final.


Ponto de controlo: leia a lista de cima para baixo (primeiro → último). A lógica deve ficar:
- Contorno/guia.
- Fixação (linha azul).
- CABRA.
- Contorno final (ponto feijão/triplo).
Resultado esperado: a sequência fica coerente e “montável”.
Simular o desenho
A simulação é o seu “gémeo digital”. Custa zero errar no ecrã e custa tempo/material errar na máquina.
Aqui, a simulação serve para validar a ordem de execução e perceber exactamente quando deve parar para colocar as camadas.
Uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar ajuda a padronizar a montagem no bastidor, mas o Stitch Player é a primeira linha de defesa contra erros de sequência.
Utilizar o Stitch Player
Active o Stitch Player (controlos tipo leitor multimédia).
Auditoria visual durante a simulação:
- Cores/linhas: a linha azul termina antes de a cabra começar?
- Paragens: a simulação indica paragens por cor? (É importante haver paragem para poder colocar o verso no momento certo.)




Verificações finais antes de bordar
Adopte um “checklist” de piloto enquanto vê a simulação:
- Folga: o desenho mantém-se dentro da caixa?
- Sequência: o desenho termina completamente antes do contorno final começar?
- Paragens: existem paragens (stops) suficientes para colocar o verso? (Se a máquina estiver configurada para coser “uma cor seguida”, pode não parar quando precisa.)


Materiais para um bom resultado
O vídeo foca-se no software e na simulação, mas em snap tabs ITH com vinil o material manda. O vinil não “recupera” como algodão: cada perfuração é permanente.
Melhorar a ferramenta: o ponto de fricção
Uma dificuldade comum em snap tabs de vinil é ter marcas do bastidor (anéis/pressão) e deslizamento das camadas durante a costura.
O vinil é espesso e, num bastidor tradicional de aro interior/exterior, a pressão pode marcar a textura.
Sinais de que está a perder tempo (e material):
- Se é difícil apertar o parafuso do bastidor…
- Se as snap tabs ficam com anéis visíveis…
- Se, após várias peças, há fadiga nas mãos/pulsos…
Alternativa comum: Os bastidores de bordado magnéticos podem facilitar a fixação sem esmagar o material.
- Porquê: prendem por pressão vertical, reduzindo marcas e ajudando a manter a peça estável.
- Nota de prudência: a vantagem real depende do tipo de vinil, do estabilizador e do método de fixação; confirme sempre com uma amostra.
- Opções: existem bastidores de bordado magnéticos para diferentes tipos de máquinas.
Árvore de decisão: estabilizador e montagem no bastidor
Como o vídeo não especifica estabilizadores, use esta lógica como orientação conservadora (teste sempre numa amostra):
- Cenário A: Vinil mais rígido (não elástico)
- Estabilizador: rasgável de gramagem média.
- Montagem no bastidor: bastidor tradicional pode funcionar; bastidor magnético pode ajudar a reduzir marcas do bastidor.
- Cenário B: Vinil fino / material tipo pele sintética mais flexível
- Estabilizador: recortável (cutaway) para suporte permanente.
- Montagem no bastidor: evitar tensão excessiva no material; garantir fixação consistente para não deformar.
Consumíveis “escondidos” (não começar sem isto)
- Fita de pintor/fita de papel: para segurar o vinil nas etapas de colocação.
- Tesoura de precisão: para cortar pontas de linha sem marcar o vinil.
Checklist de preparação (ambiente físico)
- [ ] Agulha: está em bom estado? (Uma agulha danificada marca vinil rapidamente.)
- [ ] Bobina: tem linha suficiente para completar o ITH?
- [ ] Bastidor: tamanho correcto e bem assente.
- [ ] Consumíveis: fita e tesoura à mão.
Checklist de configuração (ficheiro digital)
- [ ] Importação: o desenho foi importado (não apenas aberto).
- [ ] Orientação: o desenho foi rodado para acompanhar o ângulo da snap tab.
- [ ] Zona de segurança: existe folga visual (2–3 mm) em relação à linha azul.
- [ ] Agrupamento: a inserção está agrupada para não se fragmentar.
- [ ] Color-Object List: ordem confirmada (linha azul → desenho → fecho final).
Checklist de operação (execução)
- [ ] Simulação: foi feita uma simulação completa no Stitch Player.
- [ ] Verificação de sequência: estabilizador → vinil (frente) → desenho → vinil (verso) → fecho.
- [ ] Guardar ficheiros: guardado em formato de máquina (ex.: .PES/.DST) e no formato de trabalho (.EMB).
Resolução de problemas
Se algo correr mal, siga um diagnóstico por custo (do mais barato para o mais caro).
| Sintoma | Verificação rápida | Causa provável | Solução |
|---|---|---|---|
| O desenho cose no estabilizador, mas depois o vinil tapa-o. | Visual: os pontos ficam “por baixo” da camada superior. | Erro de sequência: o desenho ficou antes da etapa de colocação/fixação do vinil. | Reordenar na Color-Object List: colocar o desenho depois da linha azul (tack-down). |
| A linha da bobina aparece em laçadas por cima do vinil. | Táctil/visual: pontos superiores soltos/irregulares. | Enfiamento/tensão: o vinil pode aumentar o arrasto. | 1) Voltar a enfiar a linha superior (calcador levantado). <br> 2) Ajustar ligeiramente a tensão superior. |
| A snap tab rasga ao longo da costura (efeito “selo”). | Visual: rasgo na linha de perfuração. | Densidade/perfuração excessiva: demasiadas penetrações no mesmo local. | 1) Usar estabilizador recortável para suporte. <br> 2) Reduzir densidade no software (se aplicável). |
| Ficam marcas do bastidor no vinil. | Visual: textura esmagada/anéis. | Pressão do bastidor: aperto excessivo/aro tradicional. | Considerar bastidores de bordado magnéticos de encaixe ou bastidor magnético para reduzir pressão e marcas do bastidor. |
| Desalinhamento entre frente e verso. | Visual: o vinil do verso ficou torto. | Deslizamento: fita insuficiente ou movimentação do bastidor. | Reforçar fixação com fita e confirmar que o bastidor está bem encaixado antes de retomar. |
Resultados e próximos passos
Ao seguir este guia, passa de “tentativa e erro” para um processo controlado: o ficheiro fica validado em tempo (sequência) e espaço (posicionamento) através da simulação.
Para consistência (especialmente se produzir em série):
- Padronizar o ficheiro: guardar esta versão personalizada como master.
- Padronizar o processo: manter a mesma sequência de paragens e o mesmo método de fixação das camadas.
- Padronizar a montagem no bastidor: quando o volume aumenta, a repetibilidade na montagem torna-se tão importante como o ficheiro.
O bordado é a gestão de variáveis. Aqui ficam dominadas as variáveis do software — o próximo passo é aplicar o mesmo rigor na execução na máquina.
