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Master Class: Curvar texto por baixo de um círculo no Brother PE-Design (o método “sem distorção”)
Curvar texto por baixo de um círculo é uma daquelas tarefas de digitalização que “parece fácil”, mas que pode arruinar um logótipo se não se perceber a geometria por trás da função. No Brother PE-Design (Layout & Editing), o texto no arco inferior muitas vezes fica invertido ou a ler ao contrário — mesmo seguindo as opções do diálogo tal como o manual indica.
Para quem está a começar, isto assusta: investe-se tempo a preparar o ficheiro, no ecrã parece aceitável, e depois o resultado bordado sai errado. Em produção, o impacto é ainda maior: um arco inferior ilegível num lote (por exemplo, dezenas de peças) não é “só um erro” — é desperdício de tempo, material e margem.
Neste guia, o objectivo é ir além do “clique aqui”. Vai-se: criar texto e caminho, retirar atributos de costura ao caminho para o transformar num guia “fantasma”, aplicar a função Fit Text to Outline, e corrigir a orientação com uma sequência específica de inversões. No fim, liga-se a parte digital à realidade do bordado: estabilidade, montagem no bastidor e controlo de distorção.

<a id="setting-up-your-text-and-path-the-foundation"></a>Configurar o texto e o caminho: a base
<a id="primer-the-physics-of-small-text"></a>Nota rápida: a física do texto pequeno
Antes de começar a clicar, convém fixar isto: um resultado “perfeito” no software não garante um bordado perfeito. Texto pequeno e curvo aumenta o risco de deformação.
- O risco: ao formar colunas de ponto cetim, a agulha puxa o material (efeito push-pull). Em curva, essa deformação tende a amplificar-se.
- O objectivo: criar um objecto de texto e um caminho-guia que não vai bordar.
- O padrão profissional: o texto segue o arco de forma consistente, sem “cair” da linha de base e sem ficar visualmente torcido.

<a id="step-1-create-the-text-object"></a>Passo 1 — Criar o objecto de texto
Não apressar: a escolha do tipo de letra dita a legibilidade.
- Activar a ferramenta de Texto: localizar o ícone de texto (A) na barra de ferramentas.
- Ancorar o texto: clicar na área de trabalho (fundo branco).
- Introduzir o texto: escrever “testing” (ou o texto do logótipo).
- Gerar os pontos: premir Enter ou clicar fora da caixa de texto.
Verificação visual: o texto deve passar a mostrar uma simulação de pontos/linha. Se estiver apenas como contorno (wireframe), mudar para a visualização de pontos (“Stitch”/simulador) para avaliar densidade e leitura.
<a id="step-2-draw-the-path-shape-the-guide"></a>Passo 2 — Desenhar a forma do caminho (o guia)
- Seleccionar a ferramenta de Formas: escolher Circle/Oval.
- Desenhar a geometria: clicar e arrastar para criar uma elipse por baixo do texto. Se precisar de um círculo perfeito, usar Shift.
Checkpoint: deve ver-se uma oval em wireframe no ecrã. Nesta fase, a forma ainda é um objecto “activo” — normalmente com atributos de costura associados.

Dica prática: o “ponto ideal” do tamanho de letra
Se o texto for inferior a 5 mm (0.2 inches) de altura, a linha standard (40 wt) pode começar a parecer volumosa e a perder definição.
- Zona segura (início): manter o texto acima de 6 mm com linha 40 wt.
- Quando é mesmo preciso reduzir: em tamanhos muito pequenos (3–4 mm), pode ser necessário usar linha mais fina e agulha mais pequena — mas isto depende do material e do acabamento pretendido.
<a id="preparing-the-path-removing-stitch-attributes"></a>Preparar o caminho: remover atributos de costura
Aqui é onde muita gente falha: deixa a oval como objecto para bordar. Se isso acontecer, a máquina pode acabar por coser a forma (preenchimento/contorno) por baixo do texto, criando densidade desnecessária e risco de problemas.

<a id="step-3-disable-stitches-creating-the-ghost-guide"></a>Passo 3 — Desactivar pontos (criar o “guia fantasma”)
- Isolar o objecto: clicar na oval para a seleccionar (aparecem as pegas/handles).
- Desligar o preenchimento: em Sew Attributes, colocar Fill Stitch em “OFF”.
- Desligar o contorno: colocar Zigzag Outline em “OFF”.
Verificação sensorial/visual: a oval muda de aspecto — de forma preenchida com contorno para uma linha fina (wireframe). Isto confirma que ficou apenas o caminho matemático (guia), sem instruções de bordado.
Aviso: risco mecânico e de densidade
Não assumir que uma forma “não cose” só porque parece fina. Confirmar no painel de Sewing Order/Stitch Order. Se a oval aparecer na lista com cor/ordem de costura, vai bordar. Um contorno denso por baixo de letras pequenas aumenta o risco de encravamento, “bird nesting” na caixa da bobina e até quebra de agulha.
Consumíveis “invisíveis”: o que convém ter preparado
O software é metade do trabalho. Para bordar texto curvo com consistência, a estabilidade do conjunto é determinante.
- Agulha em bom estado: trocar se houver dúvidas (agulha gasta aumenta falhas e puxões).
- Adesivo temporário (spray) quando aplicável: útil para evitar deslocações ao “flutuar” material sobre estabilizador.
- Checklist de preparação (rápida):
- [ ] Material: malha ou tecido? (influencia o estabilizador).
- [ ] Agulha: está direita e sem rebarbas?
- [ ] Linha: percurso limpo, sem fiapos e sem tensão irregular.
- [ ] Bobina: bobina consistente e bem enrolada (tensão estável ajuda a leitura do texto).
Nota de produção: em séries de colocação de bastidor para máquina de bordar (por exemplo, vários logótipos no peito esquerdo), a preparação e a consistência de consumíveis são muitas vezes o verdadeiro gargalo.
<a id="using-the-fit-text-to-outline-function"></a>Usar a função “Fit Text to Outline”
Com os “ingredientes” prontos (texto + caminho fantasma), segue-se o fluxo correcto de selecção e comando no PE-Design.

<a id="step-4-multi-selection-protocol"></a>Passo 4 — Protocolo de selecção múltipla
- Seleccionar a âncora: clicar primeiro na oval.
- Adicionar o segundo objecto: manter premida a tecla Ctrl.
- Seleccionar o texto: clicar no objecto de texto.
Verificação visual: devem aparecer pegas de selecção em ambos os objectos. Se só um estiver seleccionado, a função pode ficar indisponível.
<a id="step-5-the-baseline-test-top-arc"></a>Passo 5 — Teste de referência (arco superior)
- Executar: clicar no ícone ABC Fit Text to Outline.
- Definições: manter os valores por defeito (Top / Middle).
- Confirmar: clicar em OK.

Checkpoint: o texto deve ajustar-se ao arco superior.

Porque fazer isto, mesmo querendo texto em baixo? Porque confirma que a relação entre o caminho e o texto está válida. Se falhar aqui, o caminho pode não estar “limpo” (por exemplo, não reconhecido como contorno adequado) ou o módulo não é o correcto.
Resolução de problema: “Onde está o botão?”
Se não encontrar o ícone ABC Fit Text, é provável que esteja no módulo errado. Confirmar que está em Layout & Editing (e não no Design Center) e que tem as opções de texto/arranjo disponíveis. Há utilizadores que só o localizam após explorar a barra de ferramentas/Arrange.
<a id="the-common-pain-point-the-upside-down-bottom-text"></a>O problema mais comum: texto inferior “de pernas para o ar”
Ao colocar texto no arco inferior com as opções normais do diálogo, o software segue a direcção vectorial do caminho. O resultado pode parecer contra-intuitivo: texto invertido e a ler da direita para a esquerda.

<a id="step-6-the-default-failure"></a>Passo 6 — A falha “por defeito”
- Reabrir Fit Text to Outline.
- Seleccionar Underneath the line.
- Assinalar Other Side.
- Clicar em OK.

Resultado típico: o texto passa para baixo, mas fica ilegível (orientação errada).

Importante: isto não significa que “estragou” o ficheiro — é o comportamento geométrico habitual quando se força o texto para o lado inferior do caminho.
<a id="the-solution-the-vertical-horizontal-mantra"></a>A solução: a regra “Vertical e depois Horizontal”
Para corrigir, aplica-se uma sequência rígida. Memorizar: “Flip Vertical, depois Flip Horizontal.”

<a id="step-7-the-correction-sequence"></a>Passo 7 — Sequência de correcção
- Seleccionar o resultado: clicar no texto curvo invertido.
- Acção 1: clicar em Flip Vertically.
- Observação: o texto pode ficar “direito”, mas ainda espelhado (a ler ao contrário).
- Acção 2: clicar em Flip Horizontally.
Verificação rápida: ler o texto no ecrã. Está natural da esquerda para a direita ao longo do arco inferior?

Resultado esperado: texto legível e correctamente orientado no arco inferior.

<a id="from-screen-to-machine-the-physical-gap"></a>Do ecrã para a máquina: a “lacuna” física
Resolvido o puzzle digital, entra o inimigo real: distorção. Em texto curvo, pequenas deslocações (mesmo 1 mm) podem comprometer a leitura.
Marcas do bastidor e estabilidade
Bastidores tradicionais (de aperto por fricção) exigem aperto forte para segurar bem materiais difíceis, o que pode causar:
- Marcas do bastidor: marcas de pressão, sobretudo em tecidos delicados.
- Fadiga e lentidão: em peças grossas, a montagem no bastidor torna-se mais pesada e inconsistente.
É aqui que bastidores de bordado magnéticos entra como conceito de trabalho: em vez de fricção, a fixação é por pressão uniforme.
Árvore de decisão: estabilização por tipo de material
Começar por aqui: que material está a ser bordado?
- CAMINHO A: Tecido estável (sarja, ganga, lona)
- Risco: baixo.
- Solução típica: 1 camada de estabilizador rasgável.
- CAMINHO B: Malha elástica (polo, t-shirt, performance)
- Risco: alto (puxa e deforma o arco).
- Solução típica: 1 camada de estabilizador recortável (malha/gramagem média), com adesivo temporário quando necessário.
- CAMINHO C: Peças grossas/difíceis de montar no bastidor (casacos, sacos, bonés)
- Risco: dificuldade de fixação e deslocação durante o bordado.
- Solução: pode ser necessário “flutuar” a peça sobre estabilizador adesivo; em alguns fluxos, bastidores de bordado magnéticos ajudam a segurar volumes e costuras com menos esforço.
Escalar para produção
Para um trabalho pontual, a montagem manual pode ser suficiente. Em volume, o que pesa é repetibilidade.
Se acontecerem estes sinais:
- Volume: muitas peças por semana.
- Repetição: necessidade de posicionamento sempre igual.
- Gargalo: a máquina fica à espera da preparação.
…faz sentido considerar ferramentas de consistência, como estações de colocação de bastidores, para reduzir variação de posicionamento.
Aviso: segurança com campo magnético
bastidores de bordado magnéticos usam ímanes fortes.
* Risco de entalamento: manter os dedos fora da zona de fecho.
* Segurança médica: pessoas com pacemakers/bombas de insulina devem manter distância de segurança.
* Electrónica/cartões: evitar proximidade.
Checklist operacional (antes de exportar e bordar)
- [ ] Higiene do caminho: o guia está mesmo sem costura? (confirmar no simulador/ordem de costura).
- [ ] Legibilidade: o texto está grande o suficiente para o material e a linha escolhidos?
- [ ] Orientação: confirmada a sequência “Flip Vertically” → “Flip Horizontally”.
- [ ] Montagem no bastidor: tecido bem esticado, sem deformar (tenso, mas não “esticado”).
<a id="troubleshooting-structured-diagnosis"></a>Resolução de problemas: diagnóstico estruturado
Quando algo falha, evitar “adivinhar”. Começar pelo que é mais rápido/barato de verificar.
| Sintoma | Diagnóstico (causa provável) | Correcção rápida | Prevenção |
|---|---|---|---|
| Texto fica invertido/ao contrário no arco inferior | Comportamento geométrico ao usar “Underneath” + “Other Side”. | Seleccionar texto → Flip Vertically → Flip Horizontally. | Memorizar a sequência e validar no ecrã antes de exportar. |
| A oval/círculo também é bordado | Atributos de costura (Fill/Outline) ainda activos. | Seleccionar a oval → desligar Fill Stitch e Zigzag Outline. | Confirmar no Sewing Order/Stitch Order. |
| Texto “empastado”/pouco legível | Texto demasiado pequeno para a combinação material/linha/densidade. | Parar e aumentar o tamanho do texto. | Definir limites mínimos de leitura por tipo de material. |
| Quebras/falhas em curvas | Instabilidade (material a mexer), agulha gasta ou densidade excessiva. | Trocar agulha e reforçar estabilização/montagem no bastidor. | Teste em amostra e checklist de consumíveis. |

Conclusão
Fica um método repetível para texto no arco inferior no Brother PE-Design:
- Criar texto e caminho-guia.
- Aplicar Fit Text to Outline.
- Corrigir com Flip Vertically e depois Flip Horizontally.
A digitalização é o plano; o bordado é a execução. Se o texto curvo continuar a sair inconsistente, o problema raramente é “só software”: é estabilidade, consumíveis e processo de montagem no bastidor. Com o fluxo certo — e, quando fizer sentido, com ferramentas como bastidores de bordado magnéticos — o que era “luta” passa a procedimento padrão.
Agora é validar numa amostra e bordar com confiança.
