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Preparar o desenho para digitalização
Um bordado limpo começa muito antes de carregar em “Start” (Iniciar) na máquina — começa com disciplina na preparação. Pense na digitalização como construir uma casa: se a planta (o desenho) estiver confusa, a fundação (as passagens de ponto) vai falhar.
Neste tutorial, o objectivo é encurtar a distância entre o esboço digital e a realidade do tecido. Vamos pegar num desenho a preto e branco de uma flor e transformá-lo num ficheiro de bordado que cose de forma fluida. Para quem está a começar, é um “laboratório” perfeito: preenchimentos tolerantes, textura simples em ponto corrido e um contorno em ponto cetim que é optimizado no fim.

O que vai aprender (e porque é importante)
Vai seguir o mesmo fluxo ponta-a-ponta mostrado no vídeo: carregar o desenho, dimensionar com precisão, digitalizar preenchimentos para folhas e pétalas, controlar o percurso da máquina (pontos de entrada/saída), adicionar textura e, por fim, criar um contorno contínuo em ponto cetim com Auto Branching.
Se alguma vez bordou um ficheiro que parecia perfeito no ecrã mas acabou num “ninho de pássaro” de linha, cortes aleatórios ou contornos sujos no tecido, o problema raramente é a máquina — é a lógica do percurso (pathing). É essa lógica que vamos melhorar.
Passo 1 — Carregar o desenho de fundo
John começa por importar o line art com Load Backdrop. Assim que a imagem aparece na grelha, seleccione-a (vê-se uma moldura/tela de arame turquesa à volta) e abra o painel Properties.

Passo 2 — Definir unidades e redimensionar exactamente para 5 inches
Em Properties, alterna entre Metric e Imperial em Settings e define o tamanho do desenho para 5 inches, com Maintain Aspect Ratio activo. Depois centra o desenho na posição 0,0 da grelha.
Nota prática: no vídeo, o dimensionamento é feito em inches. O ponto crítico não é a unidade — é garantir que o tamanho final corresponde ao bastidor/campo de bordado disponível na máquina.
Insight (com base no exemplo): 5 inches é um tamanho “equilibrado” para aprender.
- Demasiado pequeno (< 2 inches): colunas de cetim ficam muito estreitas (abaixo de ~1 mm), aumentando o risco de pontos a “afundar” e de falhas.
- Demasiado grande (> 8 inches): aumenta a probabilidade de deslocação do tecido e erros de alinhamento se a estabilização não estiver impecável.
- 5 inches: permite detalhe sem exigir uma montagem no bastidor perfeita.
Passo 3 — Baixar a opacidade para ver preto sobre preto
Como o contorno final será a preto, John reduz a opacidade do desenho de fundo (aproximadamente para metade). Assim, ao traçar o ponto cetim preto, consegue distinguir claramente o que está a criar do que está a copiar.

Escolha de zoom: 3:1 vs 6:1 (regra prática)
John usa os presets de zoom do software. Uma regra simples e muito útil:
- 3:1 (300%) para preenchimentos. É suficientemente aproximado para desenhar rápido e os preenchimentos “perdoam” pequenas irregularidades.
- 6:1 para cetins e edição de nós. O ponto cetim amplifica erros: o que parece mínimo no ecrã pode ficar “serrilhado” no tecido.
Usar pontos de preenchimento para folhas e pétalas
Aqui é onde muitos iniciantes ficam presos a “perfeccionismo técnico” — tentar que cada nó fique matematicamente perfeito. A abordagem do vídeo é melhor para este estilo: preenchimentos soltos e artísticos. Estamos a “pintar” com linha.

Passo 4 — Digitalizar as folhas com preenchimento solto
John escolhe Green, selecciona Fill Stitch e usa Free Draw / Freehand Shape para contornar cada folha. Fecha cada forma voltando perto do ponto inicial e largando para criar o objecto.
Definições mostradas (boas para estilo “sketch”):
- Zoom: 3:1 (300%)
- Densidade do preenchimento: 0.6 mm (mais leve/solto do que valores comuns como 0.4 mm)
- Underlay: nenhum

Porque um preenchimento solto é uma escolha inteligente aqui
É comum aumentar a densidade por medo de “falhas”. Neste tipo de desenho, isso costuma piorar. Uma densidade muito alta num preenchimento grande aumenta a força de empurrão/puxão do fio, pode deslocar o tecido e depois o contorno já não “cai” em cima do preenchimento (erro de alinhamento). A 0.6 mm, o bordado fica mais macio e com menor tendência a franzir.
Passo 5 — Digitalizar as pétalas como objectos separados
De seguida, John muda para Light Pink e desenha cada pétala como um preenchimento independente, em vez de criar uma única forma grande.

Porque separar pétalas ajuda (e quando faz diferença)
Separar objectos dá controlo sobre o ângulo/direcção do ponto. Pétalas reais “abrem” a partir do centro; se for tudo um único objecto, a direcção fica uniforme e o resultado parece plano. Com objectos separados, a luz reflecte de forma diferente em cada área, criando profundidade.
Se está a aprender embroidery digitizing for beginners, adoptar o hábito “objectos separados primeiro” é uma das formas mais rápidas de melhorar o aspecto final.
A importância dos pontos de início e fim
Porque é que a máquina pára, corta e anda 2 mm só para recomeçar? Esta é uma das maiores frustrações no início. A cura é controlar o percurso através de pontos de entrada/saída.

Passo 6 — Corrigir uma linha de ligação ajustando o ponto de saída
John mostra dois objectos muito próximos. Em Node Edit, activa Entry/Exit Points (ponto vermelho = início; ponto verde = fim). Depois arrasta o ponto verde (saída) do primeiro objecto para o lado oposto, aumentando a distância e evitando que a máquina “ignore” o corte automático quando a distância é demasiado curta.
A lógica (o que está a acontecer na prática):
- Quando a distância entre objectos é demasiado pequena, a máquina pode não executar o corte automático.
- Ao reposicionar o ponto de saída, força-se um percurso que evita ligações indesejadas (jump/connector) no resultado.
Verificação prática: como identificar “bom percurso” antes de exportar
Antes de exportar o ficheiro:
- Verificação visual: oculte o desenho de fundo. Vê linhas rectas longas a atravessar o desenho? São saltos (jump stitches).
- Optimização: para cada salto, confirme se faz sentido ajustar o ponto de saída do objecto anterior (ou o ponto de entrada do seguinte) para reduzir deslocações.
Se está a tentar dominar fixing jump stitches in embroidery software, este controlo de Entry/Exit é uma das competências mais valiosas para tornar o bordado mais limpo.
Ponto de atenção (dúvida comum): “Onde se define o tamanho do bastidor?”
É comum surgir a pergunta: “Escolhe-se o bastidor dentro do software?” Na prática: aqui define-se o tamanho do desenho (5 inches). A selecção do bastidor físico é feita depois, na máquina. Ainda assim, é essencial conhecer o limite do campo de bordado da máquina antes de começar, para não criar um desenho que não cabe.
Adicionar textura com ponto corrido
Com os preenchimentos base feitos, John adiciona uma segunda cor para dar profundidade visual sem “pesar” o bordado.

Passo 7 — Adicionar linhas de sombra com ponto corrido
Muda para Dark Purple, selecciona Running Stitch e desenha linhas onduladas dentro das pétalas.
Definição mostrada:
- Comprimento do ponto: 2.5 mm

Porque a textura em ponto corrido funciona tão bem
No ecrã, sombras fazem-se com gradientes. Em linha, gradientes são mais difíceis. O ponto corrido funciona como “traço de caneta”. Porque 2.5 mm? Se for demasiado curto (< 1.5 mm), pode desaparecer dentro do preenchimento. Se for demasiado longo (> 4 mm), pode criar laçadas e ficar mais sujeito a prender. 2.5 mm a 3.0 mm é uma zona segura para detalhes.
Dica prática (baseada em dúvidas frequentes): linhas tremidas no iPad
É comum, num ecrã pequeno, as linhas ficarem “serrilhadas” ao desenhar com caneta.
- Ajuste de método: desenhe primeiro a forma de forma solta e depois refine em Node Edit.
- O que o vídeo mostra que ajuda: aumentar o zoom (por exemplo, 6:1 quando precisa de precisão) e reposicionar nós para suavizar curvas.
Criar contornos contínuos com Auto Branching
Esta é a fase de “polimento”. Um contorno limpo em ponto cetim esconde pequenas imperfeições dos preenchimentos. Mas o cetim puxa o tecido — por isso, precisão e percurso importam.

Passo 8 — Traçar o contorno preto em ponto cetim com zoom alto
John muda para Black e escolhe Satin/Steel Stitch.
- Largura do cetim: 1.0 mm (mais tarde ajusta)
- Zoom: 6:1
Regra crítica (dita e mostrada no vídeo): os segmentos têm de tocar/encostar. Se houver folgas entre linhas, o Auto Branching pode falhar e criar saltos/cortes.
Porque “os objectos têm de tocar” (para o branching funcionar)
O Auto Branching cria um percurso contínuo. Se existir uma pequena folga, o software interpreta como “fim de estrada” e pode obrigar a um salto. Encostar/overlap ligeiro garante continuidade.
Passo 9 — Corrigir nós “amontoados” em vez de recomeçar
John mostra uma zona com aspecto irregular. Em vez de apagar, faz zoom e ajusta nós. Verificação rápida: se o contorno parece uma linha aos “soluços”, normalmente há nós a mais ou nós demasiado próximos.

Passo 10 — Usar Sequence View + Auto Branch
John selecciona múltiplos objectos de cetim preto e clica em Auto Branch.
- Antes: vários objectos separados (mais saltos/cortes)
- Depois: um objecto branched, com percurso mais contínuo


Se procura um embroidery auto branching tool para reduzir trabalho manual de percurso, este é o ponto forte do workflow mostrado.
Passo 11 — Engrossar o contorno depois do branching
Com o contorno branched seleccionado, John aumenta a largura do cetim de 1.0 mm para 1.4 mm.

Nota de experiência (alinhada com o que se vê no ecrã): 1.0 mm é um contorno muito fino e pode perder presença. Ao subir para 1.4 mm, o contorno fica mais “assente” e visível.
O resultado final do teste na máquina
Digitalizar é teoria. Bordar é realidade. Muitos problemas aparecem aqui não por causa do ficheiro, mas por causa da preparação física.

Prova de bordado mostrada no vídeo
John exporta o ficheiro e faz o teste na máquina. Resultado:
- Número de pontos: 6,988 pontos
- Resultado: definição limpa e bom toque (sem rigidez excessiva)

Preparação: consumíveis e verificações rápidas (não saltar)
Antes de iniciar, vale a pena fazer um “check” rápido para evitar desperdício de tecido e tempo.
Checklist de preparação (rápido)
- [ ] Agulha: está em bom estado e adequada ao tecido?
- [ ] Bobina: está bem colocada e com tensão consistente?
- [ ] Linha superior: percurso correcto e sem acumulação de cotão nas tensões?
Montagem no bastidor e estabilização
O vídeo usa um bastidor standard. A qualidade do bordado depende muito da estabilidade do conjunto tecido + estabilizador.
Se está a trabalhar a técnica de colocação de bastidor para máquina de bordar, use uma regra simples: o tecido deve ficar firme, mas sem distorcer a trama.
Escolha do estabilizador (orientação prática)
A escolha depende do tipo de tecido:
- Tecido estável (algodão tecido, sarja, lona):
- Pode usar tearaway firme (por vezes em 2 camadas) ou cutaway se precisar de mais suporte.
- Tecido instável (malha, t-shirt, sweatshirt):
- Normalmente é mais seguro usar cutaway para manter o bordado estável ao longo do uso.
- Tecido com pêlo/textura (toalha, felpo):
- Pode ser útil um topping solúvel em água por cima para evitar que os pontos “afundem”.
Evolução de ferramentas (quando a montagem no bastidor começa a ser o problema)
Para uso ocasional, bastidores standard funcionam. Mas, com volume ou tecidos mais espessos/delicados, surgem dores e marcas.
- Sinal: dificuldade em montar peças grossas ou surgimento de marcas do bastidor.
- Quando faz sentido: pequenos lotes repetidos e necessidade de consistência.
- Opção: ferramentas como bastidores de bordado magnéticos podem facilitar a montagem e reduzir esforço.
Checklist (imediatamente antes de carregar em Start)
- [ ] Folgas/obstruções: o braço da máquina tem espaço livre?
- [ ] Bastidor: está bem encaixado e estável?
- [ ] Pontas de linha: estão controladas para evitar enredos no arranque?
Operação: conduzir o teste como um técnico
No teste, vale a pena privilegiar controlo e observação.

O que observar nos primeiros 60 segundos
Ouça a máquina e observe o comportamento da linha. Se notar ruídos anormais ou a linha a desfiar junto ao olho da agulha, pare e verifique enfiamento, tensão e estado da agulha.
Checklist pós-bordado
- [ ] Alinhamento: o contorno preto caiu correctamente sobre as pétalas?
- [ ] Franzidos: há ondulação no tecido à volta do desenho?
- [ ] Toque: o bordado ficou confortável (não “rígido”)?
Resolução de problemas (sintoma → causa → correcção)
Mesmo com um bom ficheiro, podem surgir problemas. Use esta tabela como guia:
| Sintoma | Causa provável | Correcção rápida |
|---|---|---|
| Saltos entre objectos | Pontos de entrada/saída mal posicionados; distância curta não activa corte. | Software: ajustar o ponto de saída (ponto verde) para forçar um percurso mais limpo. |
| Contorno não cobre o preenchimento | Deslocação do tecido/efeito de puxão. | Software: aumentar ligeiramente a largura do cetim (ex.: 1.4–1.6 mm) ou ajustar compensações disponíveis. |
| Cetim “serrilhado” | Nós a mais / nós amontoados; vibração. | Software: reduzir/redistribuir nós. Máquina: reduzir velocidade no teste. |
| Ninho de linha (por baixo) | Enfiamento superior incorrecto ou tensão desequilibrada. | Máquina: reenfiar com o calcador levantado e confirmar tensão. |
Perguntas rápidas (baseadas nos comentários)
- “Pinch to zoom?” Sim, gestos de tablet podem funcionar, mas os presets (1:1 / 3:1 / 6:1) ajudam a manter consistência na avaliação.
- “Consigo desenhar de raiz?” Neste exemplo, John faz tracing, mas o software permite desenho livre; para iniciantes, copiar um desenho ajuda a focar na técnica.
- “Exporta para formatos de corte?” Não — a saída é para bordado (e formatos de quilting/long arm, conforme referido), não para máquinas de corte.
- “Como exportar para PES/DST/VP3?” O vídeo mostra exportação para a máquina (via USB), mas a disponibilidade exacta de formatos depende do fluxo de exportação do software e do equipamento.
Quando estiver pronto para aumentar o ritmo
Com o tempo, a digitalização pode ficar rápida, mas a máquina torna-se o gargalo.
- Sinal: encomendas maiores e muitas trocas de cor.
- Opção: em produção, é comum recorrer a máquina de bordar multiagulhas e, em alguns fluxos, a bastidores de bordado magnéticos para acelerar a preparação.
Resultado final: como reconhecer “sucesso”
Domina este exercício quando:
- Visual: o contorno em cetim é maioritariamente contínuo (poucos saltos/cortes).
- Toque: o bordado acompanha o tecido; não parece um “patch” rígido.
- Controlo: o verso do bordado mostra tensão equilibrada (sem excesso de linha superior a puxar para baixo).
Repita este workflow com um desenho simples — uma maçã, uma estrela, uma nuvem — e aplique a mesma fórmula: preenchimento leve → controlo de entrada/saída → contorno em cetim com Auto Branching. É uma base sólida para evoluir na digitalização.
