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Introduction to Branching in Hatch: The Logic of Efficient Production
Se já digitalizou um ramo floral delicado e depois viu a máquina a “saltar” entre pequenos segmentos de caule — a cortar, deslocar, prender a linha e recomeçar — já identificou o problema. No bordado comercial, os saltos (jump stitches) são um dos maiores inimigos da produtividade: geram cortes desnecessários, reduzem a cadência e deixam deslocações que podem estragar um visual botânico limpo.
O objectivo não é apenas um desenho que parece bem no ecrã; é um ficheiro que corre de forma previsível na máquina. Neste guia, liga-se a lógica do software à realidade física do bordado.
Nesta lição, vai dominar:
- Digitalização com precisão: criar caules com Digitize Open Shape com controlo de nós, para evitar trajectos “aos solavancos” e tensão extra na linha.
- Engenharia de fluxo: unir segmentos separados num percurso contínuo com a ferramenta Branching do Hatch.
- Gestão de textura: trocar Satin por Pattern Fill (Tatami) e aplicar o Pattern #40 para mais resistência e profundidade visual.
- Lógica de camadas: corrigir o problema “caule por cima da pétala” com o Resequence Docker, mantendo a sobreposição correcta.


Porque este fluxo de trabalho é inegociável
Branching e resequenciação não são “truques” do software — são requisitos de produção. Ao reduzir cortes, reduz-se o desgaste mecânico e também a probabilidade de quebra de linha (muitas quebras acontecem em arranques/amarrações).
Para quem produz em série (logótipos, florais de boutique, personalização), eficiência é margem. Mas a eficiência tem duas partes: um ficheiro limpo (software) e uma preparação rápida (hardware). É por isso que um ficheiro bem optimizado costuma ser combinado com ferramentas de consistência como estações de colocação de bastidores — para que o tempo ganho na digitalização não se perca na montagem manual do bastidor.
Digitizing Stems with Open Shapes
O fluxo começa por digitalizar um caule simples (ramo superior) com Digitize Open Shape. Isto cria a “espinha dorsal” do desenho.

Passo a passo: traçar com empatia mecânica
- Seleccionar a ferramenta: clicar em Digitize Open Shape (ponto corrido / Run Stitch).
- Traçar: seguir a linha do caule sobre a arte de fundo.
- Definir nós (nodes):
- Clique esquerdo: cria um nó de “canto” (segmento recto).
- Clique direito: cria um nó de “curva” (arco suave).
Âncora sensorial (auditiva): o som do rato ajuda a manter consistência. Se os cliques são apressados e irregulares, normalmente há nós a mais e curvas mal definidas.
Pontos de controlo: o padrão de “percurso limpo”
- Economia de nós: existem 50 nós onde 5 chegavam? Nós em excesso fazem o movimento do bastidor micro-parar/retomar, aumentando a tensão na linha.
- Fluidez de curva: ampliar (por exemplo, 600%) e confirmar que a linha não está “serrilhada”. Se está irregular no ecrã, a agulha vai “puxar” o tecido durante o ponto corrido, afectando o alinhamento.
Resultado esperado
No fim, ficam vários segmentos de caule (objectos separados). Visualmente parecem ligados, mas, para a máquina, são ilhas distintas. Sem o passo seguinte, a máquina pode acabar por cortar/transportar entre segmentos.
Applying the Branching Tool to Remove Jumps
Aqui acontece a transformação: converte-se um conjunto de linhas num único percurso contínuo.

Passo a passo: o processo de unificação
- Seleccionar: marcar todos os segmentos do caule que devem fazer parte do mesmo percurso.
- Activar: clicar no ícone Branching.
- Definir entrada (Entry): clicar na base do caule principal (onde o percurso deve começar).
- Definir saída (Exit): clicar no topo do caule (onde o percurso deve terminar).
- Executar: deixar o Hatch calcular o trajecto de deslocação por baixo (under-pathing).

Verificação: controlo de “linhas de transporte”
Não convém confiar cegamente no automático.
- Acção: desfazer (Undo) o Branching por um momento.
- Verificação visual: desligar o TrueView (tecla
T). Procurar linhas pontilhadas de ligação (saltos/jumps). - Reaplicar: refazer (Redo) o Branching.
- Confirmação: as linhas pontilhadas devem desaparecer, ficando um percurso contínuo em modo wireframe que viaja por baixo dos pontos de cobertura.

A “física” do Branching
O Branching cria um “percurso de transporte” (travel run) escondido sob os pontos finais.
- Risco: se a cobertura for leve ou se houver muito contraste de cor, esse transporte pode ficar visível.
- Mitigação: garantir uma densidade adequada para o Tatami/Pattern Fill (no rascunho é referido ~0,40 mm como referência) e confirmar em pré-visualização/wireframe se o trajecto está efectivamente a passar por baixo das áreas que vão cobrir.
Creating Textured Leaves with Pattern Fills
O Satin é bonito, mas tem limites estruturais. Uma folha larga em Satin pode ficar mais susceptível a prender (loops a agarrar em botões/joalharia) e a perder estabilidade com o uso. Aqui, opta-se por Pattern Fill para ganhar resistência e interesse visual.

Passo a passo: digitalização estrutural
- Seleccionar a ferramenta: Digitize Blocks.
- Inserir geometria: criar a folha com pontos emparelhados (Paired Points). Colocar o ponto A na margem esquerda e o ponto B na margem direita; continuar ao longo da folha.
- Dica: o ângulo do par define o ângulo do ponto. Para um efeito de luz mais natural, manter os “degraus” do par aproximadamente perpendiculares à nervura da folha.
- Pontas mais afiadas: colocar pontos muito próximos na ponta da folha para forçar um afunilamento.

Atribuir cor e estilo
No exemplo, a cor das folhas é definida como 5510.

Passo a passo: trocar para textura
- Seleccionar: marcar os objectos das folhas.
- Modificar propriedades: abrir as Object Properties.
- Alterar tipo: trocar de Satin para Tatami / Pattern Fill.
- Escolher padrão: seleccionar o Pattern #40.


Análise prática: porque o Pattern #40?
Contraste visual sem trocar cores: usar Satin nas pétalas e Tatami texturado nas folhas cria separação pela forma como a luz reflecte.
Durabilidade: os pattern fills “trancam” a linha com pontos mais curtos e frequentes, criando uma superfície mais estável.
Nota de prudência: no rascunho é referido que Satin acima de 7 mm pode ser arriscado; use isto como regra prática e confirme sempre em amostra, porque o comportamento varia com linha, tecido e estabilizador.
Correcting Layering with the Resequence Docker
O bordado é uma pilha física de camadas. Se a ordem estiver errada, o resultado fica visualmente incorrecto e pode afectar o alinhamento.

Passo a passo: reordenação lógica
- Diagnóstico: identificar onde um segmento de caule está a bordar por cima de uma pétala.
- Localizar: abrir o Resequence docker.
- Mover: encontrar o objecto da pétala e arrastá-lo para abaixo do objecto do caule na lista.
- Regra: a máquina borda de cima para baixo na lista; o que fica mais em baixo borda mais tarde e aparece como camada superior.


Implicação de “push/pull”
A resequenciação não é só estética.
- Física: os pontos empurram e puxam o tecido. Um enchimento mais pesado bordado depois pode deslocar ligeiramente o tecido e “roubar” alinhamento a elementos finos.
- Protecção: ao alterar a ordem, confirmar se o estabilizador está à altura da densidade/área que passa a bordar mais tarde.
Aviso (segurança mecânica): ao verificar a ordem ou ao correr amostras, manter as mãos fora da zona do bastidor. Muitas máquinas têm funções de “trace”/contorno em que o bastidor se move rapidamente sem bordar. Manter tesouras, pinças e dedos afastados.
Advanced Branching: Excluding Objects for Correct Order
Aqui está a nuance: pretende-se a eficiência do Branching (sem saltos) e a correcção visual das camadas. Nem sempre se deve “branching em tudo”.

Passo a passo: integração selectiva
- Selecção: na lista do Resequence, manter CTRL premido e seleccionar apenas caules e folhas que pertencem à camada de fundo.
- Exclusão: não seleccionar a pétala que tem de ficar por cima.
- Acção: clicar em Branching.
- Resultado: caules/folhas ficam num único objecto (sem saltos internos). A pétala mantém-se separada e borda no fim, por cima.

Regra prática
“Percurso contínuo vs. prioridade visual”
- Se os objectos se tocam e pertencem à mesma cor/camada → fazer Branching.
- Se um objecto tem de cobrir outro → manter separado.
Prep: The Foundation of Success
A digitalização é apenas parte do resultado. A preparação física (agulha, estabilizador, montagem no bastidor) decide se o ficheiro corre limpo.
Checklist de consumíveis (muitas vezes esquecidos)
Antes de carregar em “Start” (Iniciar), confirmar:
- Adesivo temporário em spray: ajuda a fixar estabilizador ao tecido e a reduzir deslocações, sobretudo em áreas com Pattern Fill.
- Agulha nova (75/11, ponta aguda ou bola conforme o material): uma agulha com rebarba pode desfiar a linha em percursos longos.
- Bobina: garantir bobina cheia. O Branching cria percursos contínuos; ficar sem linha a meio pode complicar o retomar e afectar o alinhamento.
Árvore de decisão: estabilizador e estratégia de bastidor
1. Analisar o tecido:
- Malha/elástico (T-shirt, polo):
- Acção: usar estabilizador de recorte (Cutaway) 2.5oz.
- Porquê: o tearaway pode ceder com muitas perfurações em enchimentos, aumentando o risco de deformação.
- Tecido plano/estável (ganga, sarja):
- Acção: tearaway pode ser suficiente (no rascunho é sugerido, por norma, duas camadas).
2. Analisar a montagem no bastidor:
- Existem “marcas do bastidor” (marcas de pressão) em tecidos delicados?
- Acção: é comum com bastidores plásticos. Muitos profissionais mudam para bastidores de bordado magnéticos porque a força de aperto é mais distribuída.
- O material é espesso (costas de casaco, zonas com costuras)?
- Acção: bastidores standard podem “saltar”. Bastidores magnéticos tendem a segurar melhor sem forçar o aro interior.
Pontos de controlo: verificação antes de arrancar
- [ ] Agulha: está nova? (passar a unha na ponta para detectar rebarbas).
- [ ] Percurso da linha: está bem assente nos discos de tensão? (ao puxar, deve sentir resistência consistente).
- [ ] Estabilizador: está bem fixo e a montagem no bastidor está firme (tipo “pele de tambor”)?
- [ ] Alinhamento do bastidor: o tecido está direito? (muitos profissionais usam uma estação de colocação de bastidores hoopmaster ou gabarito equivalente para repetir alinhamento).
Setup: Bridging File to Machine
Ficheiro pronto, máquina pronta — falta carregar e validar.
Passos de preparação
- Transferência do ficheiro: carregar o ficheiro DST/PES.
- Mapeamento de cores: confirmar que a máquina interpreta correctamente as cores (por número), não apenas pela pré-visualização.
- Calibração de velocidade (zona segura):
- Iniciante: 600 SPM.
- Intermédio: 750 SPM.
- Risco: velocidades muito altas (1000+) em Pattern Fills largos podem aumentar fricção e quebras. Começar mais lento.
Aviso (segurança com ímanes): se estiver a usar estação de colocação de bastidores magnética ou bastidores magnéticos, atenção ao risco de entalamento. Ímanes fortes podem fechar de repente. Manter os dedos afastados das superfícies de contacto e afastar de pacemakers.
Operation: The Stitch-Out
Aqui confirma-se se o ficheiro é realmente “de produção”. Observar a máquina com critérios.
Monitorização visual e táctil
- Teste do Branching: observar as transições entre segmentos de caule.
- Sucesso: movimento contínuo, sem som de corte/trim.
- Falha: pára, corta, desloca poucos milímetros e recomeça (voltar ao software).
- Teste de textura (Pattern Fill): tocar nas folhas durante o bordado com cuidado.
- Sucesso: sensação plana e texturada.
- Falha: se estiver “fofo”/solto, a tensão superior pode estar baixa; se estiver demasiado duro e a repuxar, a tensão pode estar alta ou o estabilizador insuficiente.
- Teste de camadas:
- Sucesso: a pétala cria uma aresta limpa por cima do caule.
Evoluir o fluxo de produção
Se o tempo perdido está na montagem no bastidor (e não a bordar), o gargalo é hardware. Bastidores standard funcionam, mas são mais lentos e menos consistentes.
Para padrões repetidos, consistência é tudo. Aprender como usar bastidor de bordado magnético pode reduzir o tempo entre peças e tornar a fase de testes e produção mais previsível.
Quality Checks: The Post-Mortem
Inspeccionar a amostra com boa luz.
1. Verificação do verso
Virar o bastidor.
- Padrão: cerca de 1/3 de linha da bobina visível no centro de satins/enchimentos.
- Específico do Branching: verificar os “percursos de transporte”. Se estiverem com laçadas no verso, há tensão inadequada e pode prender na lavagem.
2. Verificação de alinhamento
Observar onde o caule encontra a folha.
- Folga: se existir uma abertura entre contorno e enchimento, o tecido deslocou.
- Solução A: aumentar “Pull Compensation” no Hatch (0,3 mm – 0,4 mm).
- Solução B: usar um estabilizador mais aderente ou uma montagem no bastidor mais firme (magnético pode ajudar).
Troubleshooting: structured Diagnosis
Não adivinhar — diagnosticar.
| Symptom | Likely Physical Cause | Likely Software Cause | Fix |
|---|---|---|---|
| Saltos visíveis | Definições de corte/trim da máquina não estão a ser evitadas | Branching não aplicado | Seleccionar objectos -> clicar Branching. |
| Folhas a repuxar (puckering) | Estabilizador fraco | Densidade demasiado alta | Trocar para Cutaway Stabilizer ou reduzir densidade para 0.45mm. |
| Folga no caule/pétala | Tecido escorregou no bastidor | Pull Comp baixo | Apertar (teste “pele de tambor”) ou aumentar Pull Comp para 0.4mm. |
| Marcas do bastidor | Bastidor plástico demasiado apertado | N/A | Vaporizar o tecido ou mudar para bastidores de bordado para máquinas de bordar com fixação magnética. |
| Linha a desfiar | Agulha velha (rebarba) | Nós a mais | Trocar agulha (75/11) ou usar “Smooth Curves” no Hatch. |
| Caule visível por baixo da pétala | N/A | Sobreposição incorrecta | Usar Resequence Docker e mover a pétala para baixo na lista. |
Results & Conclusion
Ao integrar Digitize Open Shape, Branching e Pattern Fill, o desenho passa de “bonito no ecrã” a “pronto para produção”.
O resultado é um ficheiro que:
- Corre com eficiência: menos cortes e paragens.
- Respeita as camadas: pétalas por cima dos caules.
- Aguenta o uso: enchimentos texturados tendem a ser mais estáveis do que satins longos.
A digitalização é um ecossistema: o software dá instruções, mas o bastidor define a estabilidade do “canvas”. Se há repuxo constante ou marcas do bastidor, pode ser sinal de que o conjunto de ferramentas precisa de evoluir. Explorar bastidores de bordado magnéticos para máquinas de bordar é, muitas vezes, o ponto de viragem para passar de inconsistência a repetibilidade profissional.
Digitalizar com cabeça, montar no bastidor com firmeza e deixar o ponto fluir.
