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Porquê usar um bastidor de quilting especializado?
Se alguma vez se tentou montar no bastidor uma sanduíche de quilt completa (topo + enchimento/manta + verso) num bastidor convencional de dois aros (interior/exterior), já se conhece o problema: o volume “luta” contra as mãos, as camadas começam a deslizar e o bloco que parecia perfeitamente centrado acaba rodado ou desviado alguns milímetros.
O vídeo da Riva mostra um bastidor de quilting específico para a Janome Continental M17 (semelhante ao ASQ27) que encaixa na máquina como os outros bastidores, mas funciona como uma moldura de peça única. Foi pensado para segurar camadas espessas com firmeza sem esmagar o enchimento alto. O segredo aqui é o método: primeiro posicionamento rápido, depois alinhamento de precisão com o gabarito, e só no fim a fixação com as molas/grampos.

Desafios ao montar no bastidor quilts espessos
Uma sanduíche de quilt comporta-se de forma diferente de uma única camada de algodão. O enchimento acrescenta volume e compressibilidade, enquanto o verso tende a criar mais atrito contra a mesa. Esta combinação torna os “micro-ajustes” quase impossíveis num bastidor tradicional — quando os aros encaixam, o tecido fica preso. Para mover 1 mm, muitas vezes é preciso desmontar e recomeçar.
Vantagens das molduras de peça única
Como este bastidor de quilting é uma moldura de peça única, não é necessário forçar um aro interior para dentro de um aro exterior enquanto se tenta manter três camadas perfeitamente alinhadas. Em vez disso, coloca-se o quilt por cima da moldura, alinha-se com um gabarito visual e fixa-se com molas/grampos. Esta separação entre “alinhar” e “bloquear” reduz bastante o erro humano.
Evitar marcas do bastidor
Os bastidores tradicionais seguram por fricção e compressão entre dois aros. Isso pode deixar marcas do bastidor (marcas de pressão) em materiais sensíveis e, no caso de enchimentos altos, pode achatar fibras de poliéster de forma permanente. Embora muitos quilts sejam tolerantes, a compressão excessiva pode afectar o aspeto final. O método de moldura + molas/grampos minimiza a área de compressão.
Esta lógica de “baixa compressão” é também a razão pela qual muitos bordadores consideram bastidores de bordado magnéticos como caminho de melhoria noutros trabalhos (por exemplo, bordado em vestuário ou em artigos espessos). Se a frustração diária é “lutar” para fechar aros em peças grossas, perceber a diferença entre prender por pressão e forçar a encaixar é o primeiro passo para escolher melhor as ferramentas.
Passo 1: Posicionamento da sanduíche de quilt
Este passo serve para ficar “perto” — rapidamente — sem procurar perfeição. A abordagem da Riva tira ansiedade desta fase: aqui está-se a criar um rascunho de posicionamento.

Colocar o quilt por cima da moldura
- Colocar a moldura do bastidor plana numa mesa grande e limpa.
- Drapear a sanduíche de quilt (topo, enchimento e verso — todas as camadas) por cima do bastidor.
- Alisar as camadas com as mãos, sem puxar, garantindo que não fica tecido “amontoado” por baixo das pernas/arestas da moldura.
Resultado esperado: O quilt fica pousado de forma solta sobre a moldura, com folga suficiente para ajustar.
O “teste ao tacto” para centrar
A Riva usa um “teste ao tacto” (feedback táctil em vez de visual) para localizar as arestas da moldura por baixo da espessura do quilt.

Pontos de controlo (âncoras sensoriais):
- Táctil: Ao passar os dedos na superfície, consegue sentir a “linha dura”/aresta da moldura por baixo do enchimento?
- Visual: O bloco alvo está aproximadamente centrado entre essas arestas?
Erro comum: Fazer isto numa mesa pequena ou desorganizada. Se o quilt fica a pender da borda, a gravidade puxa e o bloco sai do centro assim que se larga. Apoiar o volume do quilt na mesa (ou numa tábua de engomar/mesa auxiliar) ajuda a manter o posicionamento.
Dica prática: Em quilts espessos, não esticar o tecido nesta fase. A sanduíche deve assentar plana. Se se puxar “como pele de tambor”, está-se a pré-esticar o viés; ao desmontar, o tecido relaxa e um bloco quadrado pode ficar visualmente em losango.
Passo 2: Alinhamento de precisão
Depois do “teste ao tacto” para ficar perto, o inserto em plexiglas transforma o “quase” em “esquadria real”. A Riva insiste em confirmar as marcações de orientação — um hábito crítico, porque estes gabaritos nem sempre são perfeitamente simétricos.

Usar o inserto em plexiglas
- Colocar o inserto em plexiglas por cima do quilt, encaixando-o na área da moldura.
- Confirmar a orientação: verificar as marcações “Left/Right” (Esquerda/Direita). Se o gabarito estiver invertido, o ponto de centragem pode ficar desviado alguns milímetros.
Resultado esperado: A grelha impressa fica visível sobre o bloco/sashing.
Alinhar a grelha com o sashing/costuras
A Riva compara o sashing com as linhas da grelha. No vídeo, ela nota de imediato que o sashing não está paralelo — receita clássica para quilting torto.

Pontos de controlo:
- Visual: As linhas horizontais e verticais da grelha estão paralelas às costuras do bloco?
- Verificação rápida: Confiar na grelha, não na “sensação a olho”. Em tecidos com padrão, as ilusões ópticas são frequentes.
A técnica do “shimmy” (micro-deslizamento)
Esta é a técnica mais valiosa do vídeo. Em vez de levantar o quilt (e perder o ponto), a Riva usa o atrito a seu favor.

Como fazer (orientado à acção):
- Aplicar pressão ligeira para baixo no plexiglas com as palmas. Isto “prende” localmente as camadas sob o gabarito.
- Fazer um micro-deslizamento (“shimmy”) do conjunto até as linhas da grelha coincidirem com as costuras.
Resultado esperado: O bloco fica perfeitamente esquadriado em relação ao bastidor.
Porque funciona (em termos práticos): A pressão faz com que topo/enchimento/verso se comportem como um conjunto durante o ajuste, reduzindo o risco de o topo “andar” sozinho e criar desalinhamento entre camadas.
Passo 3: Fixar a montagem no bastidor
Este é o momento decisivo: fixar sem deixar deslizar. Aqui, a técnica de mãos e a sequência de fixação fazem toda a diferença.
Aplicar pressão sem esforço excessivo
A técnica da Riva é manter pressão no plexiglas enquanto desloca as mãos. Evitar levantar totalmente as mãos do gabarito.

Pontos de controlo:
- Táctil: A pressão está estável e distribuída (palma plana), sem “picos” com as pontas dos dedos?
- Visual: As linhas da grelha mexeram quando se mudou o peso do corpo?
Encaixar as molas/grampos de retenção
A Riva fixa um lado e depois passa para o lado oposto. Esta tensão cruzada é importante para estabilidade.




Passo-a-passo (sequência de bloqueio):
- Manter pressão: uma mão firme no gabarito.
- Fixar o lado mais próximo: encaixar a primeira mola/grampo na aresta da moldura do lado mais perto. Procurar um encaixe “seco” e firme.
- Transferir a mão: “caminhar” com a mão para manter pressão do lado oposto.
- Fixar o lado oposto: encaixar a segunda mola/grampo no lado contrário.
- (Opcional, mas recomendado): se o sistema suportar, adicionar fixações nos outros lados para reduzir a tendência de “curvar” no meio.
Resultado esperado: A sanduíche de quilt fica bloqueada na moldura. Ao puxar ligeiramente o sashing fora da área do bastidor, o bloco central não deve deslocar.
Garantir tensão uniforme
O objectivo no quilting é “tenso, mas neutro”. Um quilt tem estrutura; deve ficar plano, não esticado.
Prevenção de problemas: Se surgirem ondulações diagonais (linhas de arrasto) após fixar, é provável que o tecido tenha sido puxado ao encaixar a mola/grampo. Abrir, alisar e voltar a fixar. Evitar tentar “puxar a ondulação” com o grampo fechado.
Caminho de melhoria (avaliar a ferramenta):
- Cenário A (este método é ideal): quilting localizado num bloco específico, onde a precisão do gabarito é a prioridade.
- Cenário B (pode precisar de outra solução): produção repetitiva com muitas peças, onde o método “alinhar e fixar” pode ser mais lento do que o desejado. Nesses casos, pode fazer sentido avaliar um bastidor de bordado magnético para outros tipos de trabalho, porque a fixação por ímanes tende a reduzir esforço manual. (A adequação depende do projecto e do sistema disponível.)
Verificações finais antes de bordar/coser
Depois de fixar, o gabarito tem de sair. Nunca coser com o inserto de plexiglas ainda colocado — pode partir a agulha e danificar componentes da máquina.

Remover o gabarito
- Levantar o inserto em plexiglas e retirar da área do bastidor.
- Confirmir que a zona montada está livre de resíduos/objetos.
Resultado esperado: Fica apenas o quilt bem enquadrado e pronto.
Verificar a firmeza
A verificação final da Riva é um “teste de toque”.

Pontos de controlo (sensoriais):
- Táctil: Ao tocar no centro, deve sentir-se firme e suportado, mas não excessivamente “esticado”.
- Visual: Se possível, observar o verso (ou passar a mão por baixo) para confirmar que não há tecido extra dobrado.
Preparar a máquina
No vídeo, o bastidor monta na máquina como os restantes. Ainda assim, como algodão de quilting + enchimento é pesado, garantir folga e apoio suficiente para o volume do quilt não “puxar” durante o movimento.

Árvore de decisão: estratégia de fixação para sanduíche de quilt
- Cenário 1: Sanduíche de quilt espessa (topo + enchimento + verso)
- Objectivo: alinhamento preciso num bloco específico.
- Melhor ferramenta: Bastidor de quilting especializado (como o mostrado).
- Porquê: as molas/grampos acomodam o volume; o gabarito garante esquadria.
- Cenário 2: Vestuário, veludo delicado ou toalhas espessas
- Objectivo: evitar marcas do bastidor e ganhar rapidez na montagem.
- Melhor ferramenta: Bastidor magnético.
- Porquê: os ímanes prendem “a direito” com menos compressão localizada do que aros tradicionais.
- Cenário 3: Produção de volume (logótipos/emblemas)
- Objectivo: repetibilidade e velocidade.
- Melhor ferramenta: Estação de colocação de bastidores + bastidores magnéticos.
- Porquê: normaliza a colocação peça após peça; a fixação magnética tende a reduzir tempos de carga/descarga e fadiga do operador.
Comparação: molas/grampos vs. bastidores standard
A ideia final da Riva é simples: o gabarito em plexiglas é o “detector da verdade”. Num bastidor standard, muitas vezes só se percebe o erro quando já se apertou. Aqui, confirma-se o alinhamento antes de bloquear.

Facilidade de utilização
- Molas/grampos + gabarito: verificar visualmente → bloquear. (Alta precisão, velocidade média).
- Bastidor de dois aros: alinhar → forçar → desalinha → repetir. (Baixa precisão em materiais espessos, alta frustração).
Estabilidade em materiais pesados
Sanduíches de quilt são pesadas. A fixação por molas/grampos cria um bloqueio mecânico que ajuda a impedir que o peso das bordas puxe o centro para fora de alinhamento.
Nota de falha “escondida”: A gravidade é inimiga. Mesmo com um bom bastidor, se um quilt grande estiver a pender de uma mesa pequena, o peso vai puxar e pode deslocar o conjunto. Apoiar o quilt com extensões de mesa, cadeiras ou superfícies auxiliares é uma das melhores “melhorias” sem custo.
Onde entram melhorias de ferramentas (SEWTECH + consumíveis)
Se o quilting é hobby, este método com gabarito e molas/grampos é excelente. Se o bloqueio físico (força nas mãos) se tornar o gargalo, pode fazer sentido pensar numa hierarquia de melhorias:
- Nível 1: Consumíveis. Se a costura/quilting está irregular, confirmar agulha adequada e linha consistente para atravessar a sanduíche.
- Nível 2: Ferramenta. Se após várias montagens seguidas as mãos ficam cansadas, considerar bastidores magnéticos para trabalhos compatíveis, pela vantagem ergonómica.
- Nível 3: Máquina. Se o trabalho é profissional e a produtividade é limitante, uma máquina de bordar multiagulhas pode reduzir paragens e aumentar consistência do fluxo de produção.
Preparação (antes de começar): consumíveis e verificações
Um bom resultado não depende só do bastidor; depende do conjunto de condições à volta da máquina.
O que é necessário (o básico)
- Bastidor de quilting Janome (moldura de peça única).
- Inserto/gabarito em plexiglas (o correcto para o tamanho do bastidor).
- Molas/grampos do bastidor (mínimo 2; idealmente 4).
- Sanduíche de quilt (já montada: topo + enchimento + verso).
Verificações práticas (para evitar retrabalho)
- [ ] Orientação do gabarito: marcações “Left/Right” confirmadas.
- [ ] Superfície de trabalho: mesa grande e limpa, com o quilt bem apoiado.
- [ ] Camadas planas: sem dobras escondidas por baixo da moldura.
- [ ] Folga na máquina: espaço suficiente para o volume do quilt se mover sem prender.
Configuração (alinhar para repetir com consistência)
Organizar a bancada para favorecer “inclinar” em vez de “esticar o braço”.
Hábitos que ajudam
- Deixar as molas/grampos já à mão (um de cada lado) antes de começar a pressionar o gabarito.
- Limpar o plexiglas: manchas e reflexos podem confundir a leitura da grelha.
- “Acomodar” o quilt na mesa antes de alinhar, para que o peso não puxe durante a fixação.
Se houver tendência para o conjunto escorregar durante a fixação, pode ser útil considerar uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar (ou, no mínimo, melhorar o apoio e a ergonomia da bancada) para reduzir reposicionamentos.
Checklist — Configuração (antes de fixar):
- [ ] Orientação: “Left/Right” correcto.
- [ ] Grelha: paralela ao sashing/costuras.
- [ ] Folga: tecido suficiente à volta para não criar tensão.
- [ ] Ergonomia: consegue chegar aos pontos de fixação sem levantar a mão que mantém pressão?
Operação (posicionar, alinhar, fixar e montar)
Execução passo-a-passo
- Drapear & tacto: colocar o quilt sobre a moldura, sentir as arestas e centrar aproximadamente.
- Gabarito & “shimmy”: colocar o plexiglas, pressionar e micro-deslizar até alinhar.
- Fixar: manter pressão, encaixar o lado próximo, “caminhar” a mão e encaixar o lado oposto.
- Remover & montar: retirar o gabarito, fazer o teste de firmeza e montar o bastidor na máquina.
Checklist — Operação (antes de iniciar):
- [ ] Gabarito removido? (verificação crítica).
- [ ] Molas/grampos bem encaixados? testar com um ligeiro movimento.
- [ ] Apoio do quilt: o volume não está a puxar para fora do bastidor.
- [ ] Folga: nada preso por baixo da zona de costura.
Resolução de problemas (sintomas → causa provável → correcção)
| Sintoma | Causa provável | Correcção rápida | Prevenção |
|---|---|---|---|
| Bloco fica torto após coser | Deslizou durante a fixação. | Remover pontos e refazer (quando aplicável). | Manter pressão no gabarito e usar a técnica do “shimmy” antes de fixar. |
| Um lado fica solto/“mole” | Tensão irregular na fixação. | Soltar, re-esquadrar e voltar a fixar. | Fixar lados opostos (um lado e o oposto) antes de completar os restantes. |
| Ondulação perto das costuras | Tecido puxado/esticado ao fixar. | Parar e refazer a montagem. | Manter o quilt plano e neutro; não pré-esticar. |
| Agulha parte de imediato | Colisão com a moldura ou com o gabarito. | Substituir agulha e verificar montagem. | Confirmar: o gabarito foi removido? |
| Molas/grampos magoam os dedos | Tensão elevada e pega incorrecta. | Usar a palma para encaixar, não as pontas dos dedos. | Para trabalhos compatíveis, considerar bastidores magnéticos por ergonomia. |
Resultados
Com o método da Riva, montar no bastidor uma sanduíche de quilt deixa de ser “luta” e passa a ser uma sequência previsível: Drapear → Micro-deslizar (“shimmy”) → Fixar. A moldura de peça única ajuda a proteger o enchimento de compressão excessiva, e o gabarito em plexiglas garante que o alinhamento é realmente esquadriado — não apenas “parece a olho”.
Ao dominar o “shimmy” (controlo por fricção) e o “caminhar das mãos” (manter pressão enquanto se alcança o lado oposto), é possível obter colocação de bloco ao nível profissional numa máquina doméstica. E, se a parte física de fixar com molas/grampos for o gargalo, existem alternativas no mercado — como bastidores magnéticos e fluxos com estação de colocação — que podem ajudar a reduzir esforço e aumentar consistência.
