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Porque é que a montagem múltipla no bastidor é essencial em projectos grandes
A montagem múltipla no bastidor é a competência avançada que separa a experiência “a olho” de um resultado com aspeto profissional. Permite bordar um trabalho “maior do que o bastidor” — por exemplo, uma barra floral contínua ao longo de um cachecol tipo pashmina — mantendo continuidade e espaçamento coerentes. Sem este método, é comum os motivos começarem a “derivar”, inclinar ou ficar com intervalos irregulares, o que denuncia imediatamente um processo pouco controlado.
No vídeo de referência, a Reva demonstra uma aplicação exigente num cachecol pashmina. O ponto forte não é a máquina em si: é o planeamento físico com moldes em papel e um sistema de marcação rigoroso para garantir que cada nova montagem no bastidor cai exatamente onde tem de cair. A filosofia é simples e inegociável: não se faz colocação “a olho” em projectos longos. Constrói-se um mapa físico de coordenadas e transferem-se marcas de referência fiáveis.
Se já aconteceu re-montar no bastidor e pensar “porque é que esta flor ficou 3 mm mais acima do que a anterior?”, este método é a correção. Dá-lhe:
- Um limite de referência: uma “faixa” constante que alinha todos os motivos.
- Um centro geométrico: uma cruzeta repetível para cada montagem.
- Um bloqueio de orientação: um vetor “UP” claro para evitar bordar um motivo rodado 180°.
Um comentário de um espectador referiu dificuldade em ver todos os padrões enquanto a apresentadora falava (a câmara nem sempre mostra tudo). Na prática, isto reforça exatamente a vantagem dos moldes físicos: mesmo que a perspetiva mude (ou se faça uma pausa), os moldes em papel + marcas no tecido continuam a ser a referência “absoluta” na mesa.
Realidade de produção: Em contexto comercial, a montagem múltipla no bastidor é muitas vezes onde a eficiência se perde. Se o objetivo é vender cachecóis, caminhos de mesa ou faixas, a diferença entre um sucesso pontual e um produto escalável é ter um sistema de colocação que funcione mesmo quando há pressa ou cansaço. É também aqui que uma atualização de ferramentas — por exemplo, passar de bastidores standard para bastidores de bordado magnéticos, ou para máquinas de maior capacidade — pode reduzir o esforço manual de re-montagem.
colocação de bastidor para máquina de bordar
Impressão e preparação dos moldes em papel
A base deste método são moldes em papel à escala real impressos diretamente a partir do software de bordado (por exemplo, Wilcom, Hatch, Embrilliance). A Reva começa por criar um “mapa” digital de layout e depois imprime moldes para cada motivo. Isto é o seu projeto; se o projeto está errado, o resultado final vai acusar.

Usar 100% de escala (não é negociável)
A instrução da Reva é crítica: imprimir os moldes a 100% (tamanho real). Muitas impressoras ficam por defeito em “Ajustar à página”/“Reduzir para área imprimível”. Se um motivo tem 4 inches de largura e a impressora o reduz para 3,8 inches, o erro acumula-se ao longo do cachecol e acaba numa barra desalinhada.

Pontos de controlo
- Na janela de impressão: confirmar que a escala está em 100%, “Tamanho real” ou “Nenhum” nas opções de dimensionamento.
- Verificação com régua: muitos softwares imprimem uma linha/caixa de calibração (por exemplo, 1 inch ou 5 cm). Medir logo após imprimir. Se não corresponder exatamente, descartar e voltar a imprimir.
Resultado esperado
- Cada molde em papel é uma réplica 1:1 do ficheiro que vai ser bordado. O que se decide na mesa corresponde ao percurso da agulha.
Marcar eixos de orientação e uma seta “UP” em todos os moldes
A Reva identifica o eixo vertical no molde impresso e desenha uma seta bem visível a apontar para o topo geométrico. Também identifica o molde com o nome do motivo.

Isto não é “burocracia”. Em projectos longos, o cachecol vai ser manipulado, o bastidor pode ser rodado para entrar no braço da máquina e os moldes podem ser virados. As marcas de orientação evitam o desastre clássico: bordar um motivo rodado 180° (ou 90°) em relação aos restantes.
Sugestão prática: fazer estas marcações imediatamente após imprimir. Não cortar o papel antes de realçar os eixos/centro.
Cortar os moldes com cuidado — preservar as marcas de colocação
Com tesoura para papel, a Reva recorta o motivo. Faz um corte mais largo primeiro e depois aproxima o recorte das zonas onde os motivos podem “encostar” ou ficar mais próximos.

Erro comum: cortar demasiado e eliminar as cruzetas (marcas do centro). Solução: se uma linha de cruzeta foi cortada, parar e reimprimir o molde. Não é fiável “adivinhar” o centro.

Profundidade técnica: trate o molde como uma ferramenta de medição. Se perde o centro/eixos, perdeu a referência.
sistema de colocação de bastidores de bordado
Mapear o desenho no tecido
Aqui cria-se um único limite de referência (linha de margem) que funciona como “coluna” de todo o trabalho.
Assentar o cachecol e controlar a deformação do tecido
A Reva coloca o cachecol pashmina estendido numa superfície ampla. Pashmina (lã fina ou mistura lã/seda) tem um cair excelente, mas é sensível à marcação: estica, enviesar e desloca-se com facilidade.
Profundidade técnica (o que acontece ao marcar): Ao arrastar um marcador num tecido macio, a fricção empurra fibras e pode criar deformação. A linha pode parecer direita no momento, mas ondular quando o tecido relaxa.
Como reduzir a deformação:
- Apoiar o peso: evitar que as pontas fiquem penduradas fora da mesa.
- Método “ponto a ponto”: marcar pontos espaçados em vez de arrastar uma linha longa.
- Unir com leveza: ligar os pontos com traços suaves, usando a régua como guia.
Medir uma linha de margem constante: 2 inches a partir da bainha
A Reva mede 2 inches a partir da extremidade acabada e marca uma linha horizontal contínua ao longo do cachecol.



Pontos de controlo
- A distância à borda é igual no início, meio e fim do segmento.
- Sempre que possível, seguir a direção da bainha/acabamento (em cachecóis acabados, a bainha é a referência mais prática).
Resultado esperado
- Uma “faixa” visível que funciona como limite de alinhamento. Todos os moldes vão encostar a esta linha.
Atenção: se o tecido se desloca durante a marcação, a linha de referência fica comprometida. Segurar o perímetro com pesos (por exemplo, livros/revistas) ajuda a estabilizar.
Ferramentas de marcação: primeiro “removível”, depois “bonito”
No vídeo são usados giz e marcadores próprios para tecido.
Profundidade técnica (compatibilidade com pashmina/lã):
- Evitar: giz de alfaiate à base de cera (pode ser difícil de remover em lã texturada) e canetas “air-erase” baratas (podem reaparecer com frio).
- Preferir: uma opção comprovadamente removível e testada numa zona discreta.
- Teste tátil: se for preciso pressionar muito para ver a marca, a ferramenta não é adequada — aumenta o risco de puxar fios e deformar.
estação de colocação de bastidores para máquina de bordar
A técnica de transferência
Com a linha de margem criada, posiciona-se cada molde e transfere-se a “geometria” (centro + eixos) para o tecido.
Alinhar o molde em papel com a linha de margem
A Reva posiciona o molde de forma a que a base (ou um elemento de referência do motivo) fique alinhado com a linha de giz.

Ponto de controlo
- O molde não está “a flutuar”: está encostado e referenciado pela linha.
Resultado esperado
- Todos os motivos partilham a mesma coordenada vertical, criando o efeito de barra “profissional”.
Marcar as extremidades da cruzeta do molde e depois unir os pontos
A Reva marca o tecido nos quatro extremos da cruzeta do molde (Norte, Sul, Este, Oeste). Retira o papel e, com uma régua, liga as marcas para desenhar a cruzeta completa no tecido.


Porque é que isto importa: não se está a “contornar o desenho”; está-se a transferir o centro matemático.
Pontos de controlo
- As linhas cruzam-se a 90° de forma nítida.
- O ponto central fica bem visível para alinhar no bastidor.
Adicionar também uma seta “UP” no tecido
A Reva desenha uma pequena seta no tecido, junto à cruzeta, a indicar a direção “UP” (topo do motivo).

Isto define o vetor de orientação. Ao manusear um cachecol comprido, é fácil perder a referência e montar uma secção “ao contrário”. A seta funciona como bússola.
Confirmar a colocação seguinte usando as marcas anteriores
Antes de “assumir” a próxima colocação, a Reva usa uma régua para medir a partir do centro anterior e validar o centro seguinte.

Profundidade técnica: Em produção, isto é um controlo de deriva. Se existir um pequeno erro na colocação #1 e se confiar apenas nos moldes, o erro pode acumular. Medir e confirmar entre centros ajuda a “zerar” o erro a cada montagem.
estação de colocação de bastidores de bordado
Estabilizador e escolhas de linha para cachecóis
A pashmina é macia, tende a franzir e é visível dos dois lados. Os consumíveis devem respeitar estas características.
Porque usar estabilizador lavável
A Reva escolhe um estabilizador lavável (especificamente “Wet n Gone”).
Lógica:
- Estado atual: o cachecol é macio.
- Objetivo: manter o cachecol macio após o bordado.
- Problema do recortável (cut-away): deixa uma área permanente mais rígida no avesso.
- Solução: o lavável suporta os pontos durante o bordado e dissolve-se em água morna, ficando apenas tecido e linha.
Ponto de controlo
- Confirmar que o estabilizador lavável é do tipo fibroso (tipo “tecido”) e não apenas filme. O filme é mais comum como topping e, sozinho, pode não dar suporte suficiente para barras mais densas.
Linha: rayon para bom cair e bobina a condizer para reversibilidade
A Reva usa linha de rayon pela suavidade e brilho. E, de forma pouco habitual (mas muito relevante para peças reversíveis), enche a bobina com a mesma linha de rayon/cor usada na linha superior.

Pontos de controlo
- Aspeto do avesso: fica mais semelhante ao direito (dentro do possível).
- Tensão: o rayon pode ser mais escorregadio; pode ser necessário ajustar ligeiramente a tensão da linha superior para evitar que a linha da bobina suba.
Agulha (dúvida comum na prática): O vídeo não especifica o tipo de agulha. Se surgir a questão “que agulha usar?”, a decisão deve ser feita com base no tecido e no resultado pretendido, testando sempre numa amostra antes do cachecol.
bastidores de bordado magnéticos
Dicas para uma colocação perfeita
Esta secção transforma o processo num padrão de trabalho e contextualiza ferramentas que ajudam a reduzir esforço e variabilidade.
Marcar um motivo de cada vez (e bordar logo a seguir)
A Reva recomenda não marcar o cachecol inteiro de uma vez. O fluxo é: marcar um, bordar um; marcar o seguinte, bordar o seguinte.
Porque funciona: O tecido pode “mexer” ao longo do processo (tensão, manuseamento, densidade do bordado). Marcar progressivamente ajuda a manter a colocação coerente ao longo do comprimento.
Árvore de decisão: escolher a ferramenta certa
Use esta lógica para decidir o setup sem exageros (nem falta de suporte).
Árvore de decisão (Tecido → Estabilizador → Fluxo de trabalho)
- O projecto é macio/com bom cair (ex.: pashmina/seda)?
- SIM: estabilizador lavável fibroso + linha de rayon. Ir para 2.
- NÃO: recortável (cut-away) standard ou destacável (tear-away) leve. Ir para 2.
- O avesso vai ficar visível (reversível)?
- SIM: bobina a condizer e limpeza cuidada dos pontos de salto.
- NÃO: bobina pré-enchida standard pode ser suficiente.
- Existem “marcas do bastidor” (anel brilhante) ou dificuldade em prender camadas?
- SIM: considerar bastidores de bordado magnéticos. Bastidores standard dependem de pressão/fricção e podem marcar fibras delicadas. Os magnéticos seguram por força magnética, reduzindo esmagamento.
- NÃO: continuar com bastidores standard, evitando apertos excessivos.
- Está a bordar 1 cachecol ou 50 cachecóis?
- 1 cachecol: método com moldes (como no vídeo) é económico.
- 50+ cachecóis: a montagem manual torna-se lenta; uma estação de colocação de bastidores ajuda a repetir a colocação com consistência.
Quando uma estação de colocação de bastidores deixa de ser “luxo”
Se o trabalho exige colocação repetida e consistente, os moldes manuais podem tornar-se um gargalo. Uma estação de colocação de bastidores usa um sistema de referência para segurar o bastidor e posicionar a peça de forma repetível. Pesquisar por termos como estação de colocação de bastidores hoop master ou estações de colocação de bastidores.
Nota prática: o ganho real depende do volume, do tipo de peça e do nível de repetição. O importante é avaliar onde está a perder tempo (medição, re-montagens, correções) e atacar esse ponto.
Segurança com bastidores magnéticos (ler antes de mudar)
Os bastidores de bordado magnéticos são muito usados em máquinas de bordar multiagulhas e existem também para algumas máquinas domésticas. São úteis em peças difíceis de prender, mas exigem cuidado.
Aviso: segurança com ímanes.
Estes bastidores usam ímanes fortes.
* Risco de entalamento: podem fechar com força suficiente para magoar os dedos. Manusear com movimentos controlados.
* Dispositivos médicos: manter afastado de pacemakers e bombas de insulina.
* Eletrónica: manter afastado de cartões e ecrãs.
Consistência de cor entre motivos
A Reva define a paleta de cores antecipadamente e mantém consistência entre motivos.
Ponto de controlo
- Preparar as linhas pela ordem de bordado.
- Evitar decisões “em cima do joelho” a meio da barra.
Checklist de preparação (não começar sem isto)
- [ ] Mapa do desenho: layout do software impresso ou esboçado para confirmar espaçamentos.
- [ ] Moldes: impressos a 100% de escala (confirmado com régua).
- [ ] Identificação: todos os moldes com Nome + eixo + seta “UP”.
- [ ] Ferramentas: tesoura (só para papel), régua, marcador (testado para remoção).
- [ ] Estabilizador: lavável (tipo fibroso) cortado em tiras com largura suficiente para o bastidor.
- [ ] Linha: linha superior escolhida; bobinas preparadas com cor a condizer.
- [ ] Consumíveis “escondidos”:
- Agulha nova (adequada ao tecido; testar antes).
- Adesivo temporário em spray (opcional, se for necessário “flutuar” o tecido).
- Escova de limpeza (limpar a zona da bobina antes de começar).
Checklist de setup (na mesa)
- [ ] Área de trabalho: superfície grande e plana, sem obstáculos. Cachecol totalmente apoiado (sem arrasto).
- [ ] Linha de referência: margem marcada a 2 inches da borda, visível e direita.
- [ ] Sequência: moldes empilhados pela ordem de bordado.
- [ ] Orientação: direção “UP” definida em relação à bainha.
Checklist de operação (o ciclo)
- [ ] Alinhar: encostar a base geométrica do molde à linha de margem.
- [ ] Transferir: marcar 4 pontos da cruzeta + seta “UP” no tecido.
- [ ] Unir: retirar o papel; desenhar as linhas completas da cruzeta.
- [ ] Montar no bastidor: alinhar a grelha/marcas internas do bastidor com a cruzeta do tecido.
- Verificação sensorial: o tecido deve ficar firme, mas sem esticar/deformar.
- [ ] Verificar: confirmar que a posição da agulha coincide com o centro marcado.
- [ ] Bordar: executar o motivo.
- [ ] Inspecionar: confirmar alinhamento antes de retirar do bastidor.
- [ ] Repetir: marcar a secção seguinte após concluir a anterior.
Resolução de problemas
Use esta tabela para corrigir problemas antes de estragarem o cachecol.
| Sintoma | Causa provável | Correção rápida | Prevenção |
|---|---|---|---|
| Deriva / inclinação (o motivo seguinte fica mais acima/abaixo) | Linha de margem a “fugir” ou tecido a deslocar durante a marcação. | Parar. Voltar a medir a partir da borda acabada e refazer a linha. | Marcar por pontos e só depois unir. Estabilizar o tecido na mesa. |
| Espaçamento inconsistente (intervalos desiguais) | Moldes impressos em “Ajustar à página” (escala errada). | Reimprimir e confirmar a escala com régua. | Verificar sempre a escala antes de cortar. |
| Motivo rodado (de cabeça para baixo) | Molde rodado no planeamento; ausência de seta “UP”. | Desmanchar pontos (difícil) ou cobrir/compensar o erro com outro elemento. | Marcar sempre a seta “UP” no tecido e no molde. |
| Marcas não saem | Ferramenta de marcação inadequada ou marcas “fixadas” (por exemplo, por calor). | Tentar remover conforme o tipo de marcador (se lavável). | Testar num canto discreto. Evitar passar a ferro sobre marcas antes de as remover. |
| Marcas do bastidor (anel brilhante) | Aperto excessivo no bastidor em fibras de lã. | Vapor suave para relaxar as fibras. | Considerar bastidores de bordado magnéticos e evitar pressão excessiva. |
| Franzidos | Estabilizador insuficiente ou tensão demasiado alta. | Reforçar com mais uma camada de lavável; ajustar tensão. | Escolher estabilizador adequado e testar antes no mesmo tipo de tecido. |
Resultados
Quando se segue rigorosamente o método “moldes primeiro”, o resultado é uma barra que parece planeada e controlada — não “aproximada”.


Como reconhecer o sucesso:
- Continuidade: o olhar percorre a barra sem “parar” em falhas de espaçamento.
- Cair: após lavar o estabilizador, o cachecol mantém-se macio, sem zonas rígidas.
- Reversibilidade: o avesso fica suficientemente limpo para ser visto ao usar.
Conselho final: Antes de entregar a peça, fazer uma verificação de qualidade: cortar pontos de salto rente, lavar/enxaguar bem (resíduos de estabilizador lavável podem deixar toque rígido) e assentar o bordado pelo avesso com um pano de engomar. É aqui que se nota a diferença entre “feito em casa” e “bem acabado”.
