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Porque é que o posicionamento é tão importante no bordado
Se alguma vez se carregou no botão “Start” (Iniciar) e apareceu aquela sensação de que a agulha está a “fugir” para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, não é caso único. O bordado à máquina é implacável; ao contrário da impressão digital, não existe “Undo” depois do ponto ficar preso no tecido.
O posicionamento é a diferença entre um produto com acabamento de boutique e uma peça que vai parar ao “cesto dos defeitos”. E isto agrava-se quando se trabalha com artigos volumosos, texturados ou difíceis de manusear — roupões felpudos, toalhas grossas, sweatshirts oversized ou sacos de lona pesados. A montagem tradicional no bastidor nestas peças costuma ser um pesadelo por três motivos muito concretos:
- Marcas do bastidor: Apertar um roupão grosso pode deixar marcas de pressão (pelo esmagado).
- Distorção: Forçar tecido volumoso para dentro do bastidor pode esticar o fio do tecido e provocar franzidos quando se retira.
- “Cegueira” de marcações: Depois de montado, as marcações (giz/caneta) desaparecem na textura ou ficam deformadas.
O método deste guia — técnica de flutuação combinada com moldes impressos — resolve estes problemas. Dá um alvo físico, à escala real, em que se pode confiar. Ao aprender a flutuar a peça por cima do estabilizador, em vez de a prender entre os aros, reduz-se o risco de marcas do bastidor e ganha-se controlo total do posicionamento.
Este fluxo de trabalho separa duas tarefas críticas que muitas vezes se confundem:
- Tarefa 1: Decisão humana (posicionamento): Usar a vista e o molde para decidir exactamente onde o desenho deve ficar.
- Tarefa 2: Execução da máquina (alinhamento): Ajustar a máquina para que a agulha acerte nesse alvo.
Quando se deixa de “adivinhar no bastidor” e se passa a posicionar com referência, deixa-se de desperdiçar peças, tempo e confiança do cliente.

Usar o Embrilliance para criar um molde de posicionamento
A base deste método é uma “camada de tradução” — um mapa em papel que liga o ficheiro digital no ecrã à realidade física da peça. No vídeo, é usado o Embrilliance Essentials, uma ferramenta muito comum no sector, para gerar esse mapa.
Passo 1 — Imprimir o desenho ao tamanho real
No software, ir a File > Print. As definições críticas são Actual Size (escala 100%) e garantir que se imprime a Page 1.
Porque é que a Page 1 é importante: É nesta página que aparece a imagem do desenho com uma cruz de centragem (eixos). Essa cruz é o “zero” matemático do desenho. Sem ela, está-se apenas a colar uma imagem na peça; com ela, existe um sistema de coordenadas.

Passo 2 — (Opcional) Imprimir a folha técnica para orçamentação e planeamento
A Page 2 costuma trazer a ficha técnica: número de pontos, sequência de cores e dimensões. No exemplo mostrado, o desenho tem 590 pontos e 2 mudanças de cor.
Dica prática para trabalho comercial: Não deite esta página fora. Para quem produz por encomenda, esta folha é uma ferramenta de verificação.
- Estimativa: Em peças volumosas, uma máquina de uma agulha trabalha, na prática, por volta de 600–700 pontos por minuto (SPM). Um desenho de 6.000 pontos pode demorar cerca de 10 minutos, mais as mudanças de linha.
- Justificação de preço: Se um cliente questionar o valor, mostrar o número de pontos e as mudanças de cor ajuda a transformar um preço “subjectivo” em dados objectivos.



Dica baseada nos comentários (verificação de realidade na digitalização)
Uma dúvida comum, sobretudo no início, é ver a cor do tecido a “aparecer” entre os pontos. No vídeo, um espectador perguntou como evitar que a “camisola apareça por baixo” do bordado.
- A física: Bordado não é tinta. A auto-digitalização, muitas vezes, define uma densidade demasiado baixa.
- A correcção: Se o contraste for alto (por exemplo, linha preta num roupão branco), pode ser necessário aumentar a Density (ou “Thickness” no Embrilliance) antes de bordar.
- Aviso: Não se deve simplesmente duplicar a densidade. Pontos a mais no mesmo local podem perfurar o tecido ou partir agulhas. Testar sempre numa amostra.
Para manter o fluxo consistente enquanto se domina a técnica de colocação de bastidor para máquina de bordar, recomenda-se imprimir sempre ao tamanho real e manter o molde em papel associado à encomenda até ao momento de o colocar na peça.
Preparar a peça: marcar e alfinetar
Esta é a fase de “pré-voo”. Muitas falhas acontecem aqui, na mesa, e não na máquina. O exemplo usa um roupão branco de felpo (tipo toalha), um material conhecido por “engolir” marcações e por se mexer sob o calcador.
Passo 3 — Marcar o centro verdadeiro do molde para ficar visível sob a luz da máquina
No molde impresso, localizar a intersecção da cruz de centragem. Com uma caneta preta tipo Sharpie, fazer um ponto bem marcado exactamente nessa intersecção.
Verificação visual: Porquê uma caneta preta? Ao colocar uma peça volumosa na máquina, a luz LED cria sombras na textura. Uma linha impressa muito clara desaparece. É preciso um “alvo” de alto contraste.

Passo 4 — Recortar o molde e alfinetá-lo bem plano na peça
Recortar o papel próximo do contorno do desenho (deixando cerca de 1 polegada de margem). Colocar o molde exactamente onde se pretende o bordado.
Acção: Alfinetar o papel com firmeza. Não usar apenas um alfinete. Usar quatro — um em cada canto. Porquê: O papel funciona como um reforço local. Em felpo, o tecido “cede” e deforma com facilidade. O papel ajuda a manter a zona rígida e plana, reduzindo a deriva quando se transporta a peça até à máquina.

Física do bastidor e do peso (porque é que alfinetar plano importa)
Mesmo a flutuar, peças volumosas têm peso e “puxam” por gravidade. Se o molde não estiver bem plano e fixo, o tecido por baixo cria ondulações.
Caminho de evolução: quando faz sentido mudar de ferramenta Se se está a lutar com um bastidor standard numa peça grossa (cansaço nas mãos e marcas do bastidor), este é um cenário típico em que um bastidor de bordado magnético para brother se1900 pode facilitar o trabalho. Um bastidor magnético não depende tanto de força e fricção para prender a peça e pode ajudar a segurar volumes e costuras sem esmagar tanto as fibras. (A adequação depende sempre do tipo de peça e do bastidor disponível.)
Técnica de “flutuação”: montagem no bastidor mais simples
“Flutuar” significa que a peça nunca fica presa entre os aros do bastidor. Apenas o estabilizador é colocado no bastidor. A peça fica por cima, fixada com adesivo. É uma prática comum quando a peça é demasiado grossa, pequena ou delicada para prender de forma tradicional.
Passo 5 — Colocar o estabilizador no bastidor bem esticado e marcar o centro verdadeiro
Colocar apenas o estabilizador rasgável (Tearaway) no bastidor.
Verificação táctil (teste do “tambor”): Apertar o parafuso do bastidor e passar a unha sobre o estabilizador.
- Correcto: som agudo e “teso”, como pele de tambor.
- Incorrecto: som baço, como papel solto.
Correcção: Se estiver solto, a agulha empurra o estabilizador antes de perfurar e pode criar “ninhos” de linha (emaranhados) por baixo.
Depois, usar a grelha plástica transparente (a régua/grade do bastidor) para marcar o centro absoluto do bastidor no estabilizador com uma cruz/ponto. Este é o “zero” da máquina.



Passo 6 — Aplicar adesivo e flutuar a peça fazendo coincidir os centros
Usar um spray adesivo temporário (por exemplo, KK 2000, 505 Spray ou spray específico para bordado).
- Acção: Agitar a lata. Pulverizar a uma distância aproximada de 10 polegadas, com uma névoa leve e uniforme, sobre o estabilizador.
- Alinhamento: Com o molde alfinetado ao roupão, usar o polegar para sentir o ponto central no papel. Fazer coincidir esse ponto com a marca de centro no estabilizador e pressionar.
- Alisamento: Alisar do centro para fora, garantindo que não ficam bolsas de ar.

Árvore de decisão: estabilizador e topping para peças volumosas
Use esta lógica para reduzir erros em peças caras:
- 1. O tecido é texturado (toalhas, roupões, polar, veludo)?
- Sim: Deve usar-se um topping solúvel em água (Solvy) para evitar que os pontos “afundem” no pelo.
- Não: O topping é opcional.
- 2. O tecido é elástico (T-shirts, jersey)?
- Sim: Evitar Tearaway. Preferir estabilizador recortável (Cutaway). Tearaway + elasticidade tende a distorcer.
- Não (tecido plano/denim/toalha): Tearaway pode ser adequado e dá um verso mais limpo.
- 3. A peça é extremamente grossa?
- Sim: Flutuar pode ser a opção mais segura. Um setup de bastidor de bordado flutuante ou um bastidor magnético pode ajudar a segurar sem forçar o bastidor.
Lista de verificação de preparação (não avançar sem confirmar)
- [ ] Molde impresso: está a 100% (tamanho real)?
- [ ] Referência visual: o ponto central está bem marcado e visível?
- [ ] Estabilidade física: o molde está alfinetado plano (4 alfinetes)?
- [ ] Tensão do estabilizador: passou no teste do “tambor”?
- [ ] Adesivo: camada leve, pegajosa (não encharcada)?
- [ ] Consumível crítico: agulha em bom estado? (75/11 ou 90/14 para tecidos mais grossos, conforme o caso).
Alinhamento na máquina: ajustar a posição da agulha
No vídeo é usada uma Brother SE1900, mas a lógica aplica-se a muitas máquinas computadorizadas (Brother PE800, NQ1600E, etc.). O objectivo é calibrar a máquina para o posicionamento manual.
Passo 7 — Carregar o desenho e fazer uma verificação manual com a agulha
Deslizar o bastidor para o carro da máquina. Ouvir o “clique” característico para confirmar que ficou bem encaixado. Se não ficar bloqueado, o desenho pode deslocar-se a meio.
Técnica do volante (handwheel): Rodar o volante lateral para baixar a agulha lentamente.
- Regra crítica: Rodar sempre o volante na direcção do operador. Rodar ao contrário pode afectar a sincronização.
- Baixar até a ponta da agulha ficar a milímetros do papel, para confirmar o alinhamento.

Passo 8 — Usar o menu de deslocação para levar a agulha ao ponto
No ecrã, seleccionar a função Move/Layout (deslocar/posicionar). Usar as setas direccionais para “jogar” (deslocar) o bastidor.
- Alvo: Ajustar até a ponta da agulha ficar exactamente sobre o ponto preto marcado no papel.
- Nota prática: Confiar na agulha, não na percepção do tecido volumoso. A peça pode parecer torta por causa do peso, mas se a agulha estiver alinhada com o centro do molde, o bordado ficará alinhado com o posicionamento escolhido.


Atenção baseada nos comentários: o ponto de início “salta” quando se carrega em Start
Um espectador descreveu um problema assustador: “Alinho tudo, mas quando carrego em Start, a máquina dá um salto e começa noutro sítio.”
Diagnóstico provável: Muitas vezes não é um erro do ficheiro; é física do tecido.
- Arrasto: Um roupão pesado pendurado fora da mesa cria arrasto. Quando o carro se move, o peso puxa para trás e pode haver perda de alinhamento.
- Encaixe do bastidor: Se não houve “clique”, o bastidor pode deslizar quando a máquina passa de “parada” a “a bordar”.
Caminho de evolução: Se se bordam peças pesadas com frequência, bastidores plásticos standard podem ter mais dificuldade em resistir ao arrasto. Um bastidor de bordado magnético pode ajudar a distribuir a força de fixação e a reduzir “creep” (deslizamento) do tecido — desde que seja compatível com a máquina e com o tipo de trabalho.
Passos finais para um bordado perfeito
Está tudo alinhado. A agulha está sobre o ponto. Ainda não iniciar.
Passo 9 — Remover o molde e os alfinetes (crítico)
Não se deve bordar com o papel.
- Levantar a agulha.
- Retirar os alfinetes com cuidado.
- Remover o papel sem levantar o tecido do estabilizador adesivado.
Passo 10 — Colocar topping em tecidos com pelo e iniciar
Colocar uma folha de topping solúvel em água sobre a zona. Funciona como uma “raquete de neve”, mantendo os pontos por cima das laçadas do felpo.
- Baixar o calcador.
- Apoiar o peso da peça: Segurar o excesso de tecido com as mãos (criando um “ninho” de tecido) para o bastidor se mover sem arrasto.
- Carregar em Start.

Porque é que o topping faz diferença (acabamento “profissional”)
Sem topping, um monograma em toalha pode ficar “enterrado” e irregular. Com topping, os pontos de cetim ficam mais definidos e reflectem melhor a luz. O topping sai com água ou vapor.
Conceito de fluxo comercial: Se houver uma encomenda de 10 toalhas, repetir o processo de alfinetar-marcar-flutuar 10 vezes pode ser lento. Em produção, usa-se uma estação de colocação de bastidores para bordado para manter o bastidor numa posição fixa e repetir o posicionamento com consistência.
Checklist operacional (os 5 segundos finais)
- [ ] Confirmar: Molde em papel removido?
- [ ] Confirmar: Alfinetes contados e fora do percurso? (Um alfinete pode partir a agulha.)
- [ ] Confirmar: Topping aplicado (se o tecido for texturado)?
- [ ] Confirmar: Calcador em baixo?
- [ ] Acção: Apoiar o peso do tecido durante os primeiros 100 pontos.
Resolução de problemas: guia rápido “porque falhou?”
O bordado é 90% preparação e 10% correcção. Aqui fica um guia de resposta rápida.
| Sintoma | Causa provável | Correcção imediata | Prevenção |
|---|---|---|---|
| A agulha não acerta no ponto central | Arrasto do tecido ou erro de referência. | Usar as setas da máquina para deslocar até alinhar. | Apoiar peças pesadas numa extensão de mesa. |
| “Ninho” de linha (emaranhado por baixo) | Estabilizador demasiado solto. | Parar. Cortar linhas. Voltar a colocar o estabilizador no bastidor mais tenso. | Confirmar o som de “tambor” antes de iniciar. |
| Contorno fora / falhas | Tecido a mexer durante o bordado. | Parar. Verificar a aderência do adesivo. | Usar Cutaway em tecidos elásticos ou considerar melhor fixação. |
| Marcas do bastidor no roupão | Aperto excessivo no felpo. | Vapor para levantar o pelo (pode não resolver totalmente). | Preferir a técnica de flutuação (como aqui) ou bastidores magnéticos. |
| Ruído de “raspar” | Agulha a bater no bastidor ou num alfinete. | PARAGEM DE EMERGÊNCIA. Inspeccionar o percurso. | Fazer sempre o contorno/trace do desenho antes de bordar. |
| O ponto de início “salta” | Bastidor mal encaixado ou perda de alinhamento por arrasto. | Recolocar o bastidor até ouvir “clique”; garantir percurso livre. | Libertar espaço; garantir que o tecido não prende no corpo da máquina. |
Nota técnica sobre o tecido a “aparecer” por baixo
Se se vir o branco do roupão a aparecer por baixo de pontos de cetim pretos:
- Causa: Densidade demasiado baixa na digitalização.
- Correcção: No Embrilliance, aumentar a densidade (por exemplo, reduzir o espaçamento) ou adicionar um ponto de base (underlay) para criar fundação.
Resultados e evolução profissional
Ao combinar um molde impresso à escala 1:1 com a técnica de flutuação, elimina-se a variável “sorte”. Deixa-se de “esperar” que fique direito; passa-se a saber que está direito porque a agulha foi alinhada com um alvo físico.
Para quem borda por hobby, evita-se estragar uma peça cara. Para pequenos negócios, cria-se um processo repetível. Consistência é a moeda do bordado.
Roteiro de evolução:
- Nível 1 (técnica): Dominar a flutuação com bastidor standard e spray.
- Nível 2 (ferramenta): Se houver dor nas mãos ou inconsistência em peças grossas, considerar um bastidor de bordado magnético 5x7 para Brother.
- Nível 3 (escala): Se o volume de trabalho exigir mais produtividade do que uma máquina de uma agulha permite, considerar máquinas de bordar multiagulhas para produção.
Começar pelo molde. Confiar na geometria. Deixar a máquina executar.
