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Porque precisa de contornos com afastamento no bordado
Os contornos com afastamento são um dos “segredos” dos digitalizadores que entregam sempre um acabamento consistente. É um ajuste aparentemente pequeno que muda imediatamente a leitura do bordado — sobretudo em emblemas, badges e logótipos com áreas preenchidas (fills) bem marcadas. Neste fluxo de trabalho do Embrilliance Stitch Artist 3, aprende-se a criar um bordo que não fica colado ao limite do preenchimento (o que, na prática, costuma gerar falhas por puxo do tecido), mas sim deliberadamente afastado para criar uma “zona de respiração” limpa e profissional.
Vai dominar um protocolo rápido e repetível em 4 passos:
- Converter: Transformar uma forma vectorial da biblioteca em pontos reais.
- Gerar: Criar automaticamente um contorno a partir desses pontos.
- Inflar: Usar a ferramenta certa para empurrar o contorno para fora (criando a folga/offset).
- Refinar: Atribuir o tipo de ponto e corrigir a ordem das camadas para respeitar a lógica de costura.
Este guia foi pensado para utilizadores intermédios que querem ganhar velocidade sem perder controlo. Se há frustração com contornos que “se enterram” em felpo (toalhas) ou que desaparecem em polar, este fluxo “em dois cliques” pode ser a abordagem mais directa.

Passo 1: gerar um contorno base no Stitch Artist 3
Enquadramento: o que o vídeo está realmente a fazer (e porque funciona)
O vídeo mostra um atalho específico dentro do Embrilliance Stitch Artist 3. Em vez de desenhar manualmente um percurso vectorial à volta da forma (processo mais lento e sujeito a irregularidades), o software gera um contorno directamente a partir dos pontos existentes.
Porque isto importa: Ao digitalizar, não se está a “desenhar linhas”; está-se a programar um percurso de máquina. Ao criar o contorno a partir do objecto de pontos, o software segue a geometria real do preenchimento — a “verdade” do bordado — e não apenas a arte vectorial.
Preparação: consumíveis “invisíveis” e verificações (mesmo quando a tarefa é “só software”)
A digitalização acontece no ecrã, mas os problemas aparecem no tecido. Antes de abrir o software, convém garantir que o posto de trabalho e a máquina estão prontos. Os contornos são dos elementos mais implacáveis no bordado: qualquer desvio de material, tensão ou fixação fica imediatamente visível.
Kit “invisível” (para testes e produção):
- Agulha nova para pesponto (75/11): Uma agulha com rebarba tende a desfiar a linha em percursos longos de contorno.
- Adesivo temporário em spray (ex.: KK100): Ajuda a reduzir “flagging” (levantamento do tecido), que destrói o alinhamento do contorno.
- Pinça de precisão: Útil para segurar pontas de linha nos primeiros pontos.
- Retalho “gémeo”: Não testar em feltro se o trabalho final é numa sweatshirt. Usar um retalho do mesmo material (ou o mais próximo possível).
Realidade de produção: Se estiver a criar bordos tipo patch ou contornos fortes para uniformes, é obrigatório pensar como a peça é fixada. Um dos maiores inimigos de contornos limpos são as marcas do bastidor (marcas de pressão) e o deslizamento do tecido. Em produção, muitas oficinas passam para bastidores de bordado magnéticos para reduzir marcas do bastidor e acelerar a fixação — sobretudo quando o mesmo desenho com contorno se repete o dia todo. A força magnética prensa de forma uniforme, sem o “arrasto” do anel interior típico dos bastidores standard, ajudando a preservar o fio do tecido.
Aviso — Segurança com ímanes: Bastidores magnéticos profissionais usam ímanes de neodímio de grau industrial. Têm força suficiente para entalar dedos com gravidade. Não colocar perto de pacemakers nem de relógios mecânicos.

Passo a passo: importar e converter a forma em pontos
- Abrir a Library (Biblioteca): No vídeo, a Sue escolhe “Floral 8”.
- Confirmar o estado: A forma entra como gráfico vectorial (apenas linhas, sem textura de pontos).
- Converter para pontos: Clicar no botão Stitch Mode (parece uma agulha).
- Atribuir preenchimento: Clicar no ícone Fill Stitch (parece uma forma preenchida).
Verificação visual: Deve notar-se no ecrã a mudança de aspecto — de uma forma “plana” para uma simulação de direcção/texture de linha.
Resultado esperado: No painel de objectos (à direita) existe um objecto identificado como Fill.



Passo a passo: criar o contorno inicial a partir dos pontos
- Seleccionar o objecto: Clicar no preenchimento (a flor laranja) que acabou de criar.
- Executar o comando: Clicar em Create an outline from stitches na barra superior.
Checkpoint: No Object Pane deve passar a ver dois objectos: o Fill original e um novo objecto de Linha (fino).
Resultado esperado: O contorno vai ficar muito “encostado” ao preenchimento. Não é erro. Este é o ponto de partida (estilo “knockout”/colado) que, em tecido real, muitas vezes acaba por criar falhas. No passo seguinte corrige-se o afastamento.


Dica prática (baseada em dúvidas frequentes): confusão de versões — confirmar ferramentas antes de avançar
É comum surgir a dúvida “Isto é o Stitch Artist 2 ou 3?”. A ferramenta Inflate é uma funcionalidade do Level 3. Se não aparecerem estes ícones, confirme a versão no menu “Help”. Evite tentar “imitar” o efeito arrastando pontos manualmente: dificilmente ficará matematicamente uniforme.
Passo 2: usar a ferramenta Inflate Object para um espaçamento consistente
Porque o contorno standard parece sempre “demasiado perto”
No mundo real, o bordado puxa o tecido (efeito push/pull). Se o contorno estiver digitalmente colado ao preenchimento, o preenchimento tende a “encolher” visualmente à medida que cose e o contorno pode acabar dentro do fill — ou então criar um intervalo irregular.
A inflação funciona como margem de segurança: ao expandir o contorno para fora, cria-se uma zona tampão entre o preenchimento e o bordo.

Passo a passo: tornar o contorno bem visível antes de inflar
- Contraste visual: Mudar a cor do contorno para Verde (ou outra cor muito contrastante).
- Porquê? Para ver claramente o “espaço negativo” (a folga) entre o fill laranja e a linha verde.
Checkpoint: Consegue distinguir sem esforço os dois objectos? Se não, mude novamente a cor.

Passo a passo: inflar o contorno para criar o offset
- Seleccionar: Clicar apenas no objecto contorno verde.
- Ferramenta: Clicar no ícone Inflate Objects.
- Parâmetros:
- Inflation: Introduzir 4.0 mm.
- Soften Corners: Activar (ON). Ajuda a transformar cantos “duros” em curvas mais naturais no bordado.
- Remove Holes: Para esta forma não é necessário; pode ser útil em lettering (ou formas com “buracos”) quando não se pretende que esses vazios sejam contornados.
Verificação visual: No ecrã, a linha verde deve “saltar” para fora, criando uma folga visível em relação ao preenchimento.


Profundidade técnica: o que “4 mm” significa na prática
No ecrã, 4 mm parecem muito. No tecido, muitas vezes é apenas a margem que evita surpresas.
- Volume do tecido: Em materiais com pelo/loft (polar, toalhas), parte do afastamento pode “desaparecer” visualmente devido ao relevo e ao “bloom” da linha.
- Tensão do preenchimento: À medida que o centro cose, cria tensão e pode juntar ligeiramente o tecido. Um afastamento digital pode resultar num afastamento visual menor.
Nota de produção: Em artigos difíceis de fixar de forma repetível (bonés, sacos, costuras grossas), o alinhamento do contorno depende muito da consistência da fixação. Em ambientes de produção, muitos operadores integram fluxos com estação de colocação de bastidores de bordado para normalizar a colocação e a tensão, ajudando a que o offset se mantenha consistente peça após peça.
Personalizar o novo bordo: backstitch vs Motif Fills
Passo a passo: atribuir propriedades de ponto (backstitch)
- Selecção: Confirmar que o contorno verde inflado está seleccionado.
- Atribuir tipo: Clicar no ícone Backstitch na barra de ferramentas.
Checkpoint: A linha deve deixar de parecer um vector “liso” e passar a mostrar pontos/agulhadas (representação de costura).
Resultado esperado: Um contorno clássico e limpo. O backstitch tende a ser uma opção segura porque assenta bem e tolera pequenas variações de alinhamento.

Pergunta típica na prática: “Dá para fazer bean stitch só com o Embrilliance Essentials?”
É uma confusão comum: o “Essentials” é a versão base; o “Stitch Artist” é o módulo de digitalização. Para criar contornos inflados/offset como no vídeo, é necessário o módulo de digitalização (Stitch Artist). O Essentials, por si só, não disponibiliza este fluxo.
Profundidade técnica: escolher backstitch vs bordos decorativos
Embora o vídeo mostre a opção Motif Fill (efeito decorativo), convém avaliar o impacto em produção.
- Backstitch/Bean stitch: Menos pontos, mais rápido, define bem o limite. Muito usado em logótipos e texto.
- Motif/“molduras” decorativas: Mais pontos e mais densidade; pode funcionar bem em patches, mas aumenta o risco de distorção.
Avaliação de risco: Bordos decorativos aumentam densidade. Mais densidade = mais distorção do tecido. Se optar por um motivo pesado, pode ser necessário reforçar o estabilizador (por exemplo, passar de tear-away para cut-away), conforme o material.
Estilo opcional mostrado no vídeo: motif fill
- Conversão: Com o contorno seleccionado, clicar no ícone Motif Fill.
- Verificação visual: É normal o motivo parecer “por cima” da flor no preview. O passo crítico seguinte é a ordem de camadas.

Dicas de sobreposição (layering) para um resultado profissional
Passo a passo: reordenar objectos para a sequência de costura correcta
- Menu de contexto: Clique com o botão direito no objecto verde (motivo/contorno) no Object Pane.
- Reordenar: Seleccionar Move First.
Checkpoint: A lista à direita muda. O contorno/motivo verde fica no topo da lista (cose primeiro) e o preenchimento laranja fica abaixo (cose depois).
Resultado esperado: No ecrã, a flor laranja passa a “assentar” por cima do fundo verde.



Profundidade técnica: porque a ordem de camadas separa um “preview bonito” de um bordado limpo
Na lógica do bordado, fundos devem ser fundação. Se coser primeiro o centro e depois tentar coser um motivo pesado à volta, o calcador e o movimento podem empurrar o tecido contra a área já bordada, criando ondulação e franzido.
Ao coser primeiro o motivo (fundo), ajuda-se a “assentar” o tecido; depois, o detalhe (flor) fica por cima com melhor definição.
Dilema de escala: Num trabalho pontual (1 peça), ainda se pode “salvar” com vapor e paciência. Em produção (50+ peças), isso não é viável. A consistência vem de processos e ferramentas. Por exemplo, em configurações multiagulhas, bastidores de bordado magnéticos tajima são frequentemente usados para manter pressão uniforme em toda a área, reduzindo variações que se traduzem em ondulação.
Preparação (expandida): o que verificar antes de testar este estilo de contorno em peças reais
O vídeo é centrado no software, mas o resultado final depende do hardware e da fixação. Use esta checklist de “pré-voo” para evitar testes falhados.
Checklist de preparação (Passa/Falha)
- [ ] Verificação da agulha: A agulha está direita e afiada? (Se a unha “agarra” na ponta, substitua).
- [ ] Verificação da bobina: A zona da bobina está limpa, sem cotão? (Contornos são sensíveis a picos de tensão).
- [ ] Material equivalente: Tem retalho com elasticidade semelhante à peça final?
- [ ] Escolha de estabilizador: Em malhas/tecidos elásticos, está a usar cut-away? (Tear-away tende a falhar em t-shirts com contornos afastados).
- [ ] Percurso da linha: Voltar a enfiar a linha superior para garantir assentamento correcto nos discos de tensão.
Se estiver a bordar em artigos escorregadios ou difíceis de fixar, avalie se o método de bastidor é o elo fraco. Muitas oficinas adicionam um bastidor de bordado magnético quando começam a ver deslizamentos repetidos ou marcas do bastidor — a fixação magnética pode ser a diferença entre uma folga limpa e um contorno irregular.
Configuração: decisões que evitam as falhas mais comuns em contornos
Árvore de decisão: o “caminho seguro”
Use este fluxo para orientar a preparação:
- O tecido é elástico (T-shirt, sweatshirt, piqué)?
- SIM: Estabilizador cut-away (mesh) + agulha de ponta bola.
- NÃO (ganga, lona): Estabilizador tear-away + agulha ponta aguda.
- O desenho é pesado (>10.000 pontos)?
- SIM: Fixação firme no bastidor. Em bastidor standard, usar o teste do “tambor” (tensão uniforme).
- NÃO: Fixação standard pode ser suficiente.
- É produção (várias peças)?
- SIM: Usar uma estação de colocação para normalizar posicionamento e tensão.
- NÃO: Colocação visual pode ser aceitável.
Nota prática: Se houver luta constante com tensão e mudanças de cor lentas numa máquina de uma agulha, pode estar a chegar ao limite do equipamento. Uma máquina de bordar brother pode ser um bom ponto de entrada até certo volume; quando o trabalho depende de velocidade e repetibilidade, uma máquina multiagulhas muda o patamar.
Checklist de configuração (lado do software)
- [ ] Verificação do objecto: Inflou o contorno e não o preenchimento?
- [ ] Cantos: O “Soften Corners” está activo?
- [ ] Tipo de ponto: O contorno tem um tipo de ponto atribuído (Backstitch)? (Linhas vectoriais sem propriedades não cosem).
- [ ] Versionamento: Guardar como
NomeDesign_Offset_v1para poder recuar se 4 mm ficar demasiado largo.
Operação: executar o fluxo sem falhas
Este é o “cheat sheet” condensado dos passos no software.
Sequência de operação (passo a passo)
- Importar forma -> Converter para Fill Stitch.
- Seleccionar Fill -> Clicar em Create outline from stitches.
- Mudar a cor do contorno (para visibilidade).
- Seleccionar contorno -> Clicar em Inflate Objects.
- Definir Inflation para 4.0 mm (confirmar “Soften Corners” ON).
- Seleccionar contorno -> Atribuir Backstitch.
- (Opcional) Converter para Motif Fill + botão direito -> Move First.
Métricas de sucesso (como saber se está “bom”)
- No ecrã: Existe uma folga clara. As curvas ficam suaves, sem cantos agressivos.
- No tecido: A folga é visível mas não “desligada”. O contorno é contínuo, sem tremores.
- Som: A máquina trabalha de forma regular, sem “batidas” típicas de sobreposição pesada.
Checklist de operação (durante o teste)
- [ ] Controlo de velocidade: Reduzir a velocidade no primeiro teste.
- [ ] Observação da 1.ª camada: Se o tecido ondular, parar e refazer a fixação.
- [ ] Teste da folga: Após o preenchimento, observar a área antes do contorno começar: o tecido está estável?
Se estiver a repetir o mesmo desenho muitas vezes, cronometre a fixação e o carregamento. Quando a montagem no bastidor se torna o gargalo (ou causa fadiga), soluções como a estação de colocação de bastidores hoop master podem ajudar a normalizar o alinhamento e reduzir esforço do operador.
Resolução de problemas: Sintoma → Causa → Correcção
| Sintoma | Causa provável | CORRECÇÃO RÁPIDA |
|---|---|---|
| O contorno toca no preenchimento (folga fechada) | Efeito push/pull / compensação insuficiente | Aumentar a Inflation em 1,0 mm ou reforçar estabilização (ex.: cut-away). |
| O contorno fica “tremido”/irregular | “Flagging” (tecido a levantar) | Usar adesivo temporário para fixar tecido ao estabilizador antes de colocar no bastidor. |
| O contorno rasga/cria buraco | Densidade/impacto excessivo | Escolher ponto mais simples (Backstitch) ou reduzir densidade do bordo decorativo. |
| Quebra de linha constante no contorno | Velocidade/agulha/tensão | Trocar agulha (75/11) e reduzir velocidade; rever enfiamento e tensão. |
| O motivo cobre o centro do desenho | Ordem de camadas | No software: botão direito no motivo -> Move First. |
| Não encontra a ferramenta “Inflate” | Versão do software | Confirmar Stitch Artist Level 3. Elements e Essentials não têm esta função. |
Resultado: o que deve ter no fim
Ao concluir este fluxo, deve ficar com um ficheiro que contém:
- Um objecto central de Fill (a flor).
- Um objecto de contorno separado, gerado matematicamente.
- Uma “zona de segurança” (aprox. 4 mm) criada com a ferramenta Inflate.
- Uma ordem de camadas correcta, em que o fundo cose antes do detalhe.
Nota final: Se o objectivo for hobby, aproveite a liberdade criativa. Se estiver a produzir patches, uniformes ou séries de logótipos, trate a digitalização e a fixação como um ecossistema único. Offsets limpos dependem de fixação consistente (bastidores) e de comportamento previsível do tecido (estabilizadores), não apenas de cliques no software.
E se estiver a produzir em volume numa configuração multiagulhas, como uma máquina de bordar tajima, lembre-se: a rentabilidade está ligada ao tempo de preparação. A melhor digitalização não compensa uma peça mal fixada — invista em processo e em ferramentas que garantam uma base estável.
