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Criar letras nítidas no Wilcom Hatch: guia completo de underlay
O lettering é o teste de fogo de qualquer bordador. É uma das formas mais rápidas de um trabalho parecer profissional — e, ao mesmo tempo, o sítio mais comum para aparecerem contornos “moles”, empastamento de linha, nós, ou falhas onde o tecido fica à vista.
Ao trabalhar no Wilcom Hatch, pense no underlay (entretela de base) não como “pontos extra”, mas como a fundação de uma casa. Se fizer um “arranha-céus” sem base (sem underlay), afunda. Se fizer uma “casota” em cima de um bunker (underlay a mais), fica volumoso e sem definição.
Neste guia, vamos desmontar o fluxo de trabalho demonstrado pela Sue (OML Embroidery) no Hatch. O objectivo é ir além do “deixar por defeito” e perceber o que observar (no ecrã e no bordado) para chegar a letras limpas e consistentes.

A “zona de perigo”: letras pequenas (<6 mm)
Quando o lettering desce abaixo de 6 mm, as regras mudam. As perfurações da agulha ficam tão próximas que, em vez de dar estrutura, o underlay pode provocar acumulação de linha — a coluna de cetim deixa de assentar e começa a formar um “bolo” rígido.
A mecânica dos pontos pequenos
A ideia-chave aqui é contra-intuitiva: menos é mais. Se letras muito pequenas estão a empastar, normalmente não precisa de “mais base”; precisa de tirar volume. Muitas colunas ficam com largura tão reduzida que não há espaço para empilhar camadas.
Lógica automática do Hatch: Ao reduzir o texto, o Hatch tende a mudar automaticamente para underlay “Center Run” (uma linha simples ao centro). Isto é importante porque ancora sem disputar espaço com o cetim.


Dados práticos e limites seguros
- Velocidade: Em lettering muito pequeno, reduzir a velocidade pode ajudar a manter a agulha mais estável e a diminuir desvios. (A Sue reforça que, se estiver a empastar, o underlay não deve ser “reforçado”; deve ser simplificado.)
- Agulha: Em texto pequeno, uma agulha mais fina pode reduzir o impacto visual do furo e ajudar a manter a coluna definida.
Nota editorial: o vídeo foca-se nas definições no Hatch (underlay e margens). Ajustes de velocidade/agulha dependem da máquina, linha e tecido; use-os como alavancas de teste, não como regra fixa.
Passo a passo: inspecção “caminho limpo”
- Criar o objecto de texto no Hatch.
- Redimensionar para o tamanho final pretendido.
- Ampliar (zoom) até ver claramente a estrutura do lettering (idealmente com a visualização que lhe permita ver o “esqueleto” dos pontos).
Checkpoints (visuais e tácteis):
- Visual: Vê-se uma única linha a passar pelo centro da coluna (Center Run).
- Visual: O underlay não “encosta” às extremidades da coluna em texto muito pequeno.
- Táctil (após bordar): A letra deve ficar flexível; se ficar dura e “granulosa”, há excesso de pontos para a dimensão.
Variável crítica: estabilizador
O software não consegue “anular” a física do tecido. Mesmo com underlay correcto, se o tecido estiver instável no bastidor, o lettering pequeno distorce.
- Ajuste: Em malhas, tende a resultar melhor um estabilizador de recorte (cutaway) do que um de rasgar (tearaway).
- Melhoria de fixação: Se for difícil manter peças pequenas bem tensionadas sem criar marcas do bastidor, um bastidores de bordado magnéticos pode ajudar a aplicar pressão uniforme sem deformar tanto o tecido (desde que o conjunto tecido/estabilizador esteja bem preparado).
O “ponto ideal”: texto standard (6 mm–10 mm)
6 mm a 10 mm é uma gama muito comum para nomes e aplicações em peito esquerdo. Aqui, o Hatch normalmente escolhe automaticamente “Center Run” e, conforme a dimensão, pode passar para “Edge Run”.

Porque o “Center Run” funciona tão bem nesta gama
O Center Run cria uma “espinha” para o cetim assentar, ajudando a coluna a manter forma e a não “afundar” no tecido.
Contexto de produção: o problema das letras “onduladas” Se no Hatch a pré-visualização parece perfeita, mas no tecido as colunas ficam onduladas, muitas vezes a causa é deslizamento do tecido no bastidor, não o underlay.
- Diagnóstico rápido: Se o tecido não estiver firme (teste do “tambor”: ao tocar deve soar e sentir-se tenso), o underlay não vai compensar.
- Solução (técnica): Fixação temporária do tecido ao estabilizador pode reduzir o arrasto.
- Solução (ferramenta): É comum procurar soluções de fixação mais consistentes (por exemplo, bastidores magnéticos) para reduzir variações de tensão ao longo de séries.
Serviço pesado: costas de casaco e letras grandes (>10 mm)
Ao aumentar para dimensões “Jacket Back” (letras muito grandes), os pontos de cetim ficam mais longos e expostos. Sem uma base mais robusta, podem prender, oscilar ou deixar o tecido aparecer.
Fórmula da Sue para letras grandes: Estrutura + Definição.
- “Double Zigzag”: cria uma estrutura tipo treliça para sustentar a coluna.
- “Edge Run”: por cima, para “guiar” o cetim e manter contornos nítidos.



Passo a passo: empilhar underlays como um “bunker”
- Seleccionar o objecto de lettering grande.
- Abrir as Object Properties.
- Definir “Double Zigzag” como underlay principal.
- Activar “Edge Run” como underlay secundário.
Checkpoints:
- Visual: A pré-visualização mostra uma “rede” (zigzag) com uma linha de contorno (edge run).
- Durante o bordado: Se houver sinais de excesso de densidade (ruído agudo, esforço, quebras), é preferível aliviar a densidade do que “forçar” com mais underlay.
Atenção — risco de quebras de linha: Underlay pesado + colunas grandes = contagem de pontos elevada. Se houver desfiação/ruptura, pode ser densidade a mais. No Hatch, isto costuma ser resolvido ajustando parâmetros na área de Stitching (por exemplo, espaçamento/comprimento de ponto), em vez de acrescentar ainda mais camadas.
Controlo de precisão: ajustar margens
Por vezes o underlay “espreita” por baixo do cetim (poke-through), sobretudo em curvas. O Hatch permite recuar o underlay em relação à borda.


Passo a passo: ajustar o “setback” (Margin from Edge)
- Seleccionar o lettering.
- Ir ao separador Stitching nas Object Properties.
- Localizar “Margin from Edge”.
- Ajustar:
- “Normal”: valor por defeito (a Sue recomenda, na maioria dos casos, manter em “Normal”).
- “Medium/Wide”: recua o underlay para dentro. Útil quando há ligeiro desalinhamento, tecido a mexer, ou risco de o underlay aparecer na borda.

Critérios de decisão:
- Manter em “Normal” quando o tecido é estável e o contorno está a sair limpo.
- Passar para “Medium” quando o tecido tem textura/pêlo e o cetim pode “abrir” nas curvas, expondo o underlay.
Resolução de problemas: “Porque é que as definições estão bloqueadas?”
Na prática, é comum surgir a dúvida (especialmente em lettering/monogramming): o underlay não dá para activar/desactivar ou editar.
Verificações típicas no Hatch:
- O objecto ainda é “Lettering”? No Sequence docker, confirme se o item é reconhecido como lettering/objecto. Se aparecer como “Stitch”, pode ter sido convertido para pontos e perde-se a edição dinâmica das propriedades.
- Está a seleccionar o objecto correcto? Certifique-se de que está a seleccionar o objecto de lettering (não apenas pontos/segmentos) antes de abrir as propriedades.
Isto é uma confusão frequente para quem vem de uma máquina de monogramas mais “fechada” e passa para software orientado a objectos como o Hatch: primeiro edita-se o objecto, depois é que se “fecha”/converte para pontos quando necessário.
Lógica de diagnóstico: tabela de decisão
Use esta lógica para diagnosticar antes de mexer em definições.
| Sintoma | Verificação rápida (no tecido/na simulação) | Causa provável | Ordem de correcção (baixo custo -> alto custo) |
|---|---|---|---|
| Texto empastado / com nós | Coluna rígida; acumulação visível em letras pequenas. | Underlay a mais para a largura disponível. | 1. Simplificar para “Center Run”.<br>2. Se for extremamente pequeno, desligar underlay. |
| Contornos ondulados | Tecido pouco tenso no bastidor; deslocação durante o bordado. | Fixação/tensão no bastidor. | 1. Recolocar no bastidor com tensão uniforme.<br>2. Considerar bastidores de bordado magnéticos para pressão mais homogénea. |
| Falhas / afundamento | O tecido “aparece” entre pontos; letra perde volume. | Base insuficiente para o tipo de tecido/loft. | 1. Rever estabilização e topping quando aplicável.<br>2. Em letras grandes, usar “Double Zigzag”. |
| Underlay a aparecer (poke-through) | Linha visível na borda, sobretudo em curvas. | Margem do underlay demasiado perto da borda. | 1. Ajustar “Margin from Edge” para “Medium”.<br>2. Confirmar tensões (bobina/linha superior). |

Árvore de decisão: escolher o underlay
Em vez de adivinhar, meça a altura do lettering e siga este caminho:
- O texto é < 6 mm?
- SIM: usar apenas “Center Run”. Se for extremamente pequeno, pode desligar o underlay.
- O texto está entre 6 mm e 10 mm?
- SIM: manter “Center Run” (normalmente o automático do Hatch acerta aqui).
- O texto é > 10 mm?
- SIM: usar “Edge Run” para contornos mais definidos.
- É muito grande (estilo Jacket Back)?
- SIM: usar “Double Zigzag + Edge Run”.
Preparação: checklist antes de digitalizar
Antes de mexer em parâmetros, confirme se o setup físico aguenta o desenho.
Consumíveis “escondidos”
- Agulhas: escolher em função do tecido e da dimensão do lettering.
- Topping: em tecidos com pêlo/altura, um topping pode evitar que o cetim “afunde”.
- Limpeza: cotão na zona da bobina pode criar laçadas e variações de tensão — e o lettering denuncia isso imediatamente.
Checklist de preparação
- [ ] Análise do tecido: é elástico? (tende a exigir estabilização mais firme). É texturado? (pode precisar de topping).
- [ ] Estratégia de colocação no bastidor: existe uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar ou uma referência consistente para manter nomes alinhados e à mesma altura?
- [ ] Higiene da máquina: área da bobina limpa e tensão estável.
Configuração: fluxo no Hatch
Execução do setup no Wilcom Hatch.


- Abrir o “Lettering Docker”: escrever o texto.
- Redimensionar primeiro: não ajuste underlay antes de o texto estar no tamanho final.
- Mudar a cor: usar uma cor de alto contraste para ver melhor a estrutura do underlay.

Checklist de configuração
- [ ] Texto com tamanho final correcto.
- [ ] Object Properties > separador Stitching acessível.
- [ ] Tipo de underlay coerente com a árvore de decisão.
- [ ] Rever parâmetros de pontos no separador Stitching (comprimento, espaçamento e “Margin from Edge”) quando houver sinais de excesso/defeito de estrutura.
Operação: o bordado (stitch-out)
Nota de eficiência para produção
Se estiver a correr nomes em série, a digitalização é apenas uma parte do tempo total — o gargalo costuma ser a colocação no bastidor.
- Eficiência nível 1: usar uma estação de colocação de bastidores para máquina de bordar para repetir posicionamento.
- Eficiência nível 2: quando a troca de cores domina o tempo, uma máquina multiagulhas pode fazer diferença no fluxo (avaliar conforme o volume e o tipo de trabalho).
Checklist de operação
- [ ] Teste do encaixe: bastidor bem fechado (ou íman bem acoplado).
- [ ] Trace/contorno: confirmar que a agulha não vai bater no bastidor.
- [ ] Primeiros pontos: observar o início. Se o underlay fizer laçadas, parar e verificar tensão da linha superior.
Resultados
O underlay não é “definir e esquecer”; é a variável que liga o ficheiro digital ao comportamento real do tecido.
- Texto pequeno: precisa de espaço e simplicidade (menos underlay).
- Texto grande: precisa de estrutura (mais underlay).
- Texto ondulado: precisa de melhor fixação no bastidor.
Ao dominar a relação entre tamanho da letra e estrutura, reduz-se o “aspecto amador” e aumenta-se a repetibilidade em produção. Para consistência de posicionamento, pode fazer sentido normalizar o fluxo com uma estação de colocação de bastidores hoop master e/ou bastidores magnéticos de qualidade.

